Mobilidade Elétrica

Descubra as mentiras sobre o carregamento de veículos elétricos

Foto: REUTERS/Simon Dawson
Foto: REUTERS/Simon Dawson

Em Portugal, em média, 56% da eletricidade produzida e consumida no país é de fonte renovável.

Em 2030, 40 milhões de carros, carrinhas e camiões elétricos e híbridos vão circular nas estradas europeias. A previsão é da Eurelectric – Associação das Empresas Elétricas Europeias (que integra gigantes como EDP, Enel, Endesa, Iberdrola, EDF, E.ON SE, ESB, Gas Natural Fenosa, entre outras), depois de a União Europeia ter recentemente adotado medidas mais restritivas para as emissões de CO2. São 40 vezes mais veículos movidos a baterias elétricas ou híbridos no espaço europeu, por comparação com apenas um milhão registado em 2018.

Em Portugal, garante a Eurelectric, o salto pode ser igualmente de gigante, de 16 300 veículos elétricos e híbridos hoje em dia para cerca de 655 mil em 2030 (ou seja, 40 vezes mais). No entanto, e apesar de as vendas de carros elétricos em Portugal terem aumentado 95% em 2018 por comparação com 2017, e terem dado de novo um salto de 118% nos primeiros três meses de 2019, a verdade é que ainda persistem alguns mitos sobre o carregamento destes veículos não poluentes, movidos a eletricidade, que importa desmistificar.

Para começar, muitas pessoas ainda acham que ao carregar as baterias dos seus carros elétricos o estão a fazer com eletricidade produzida a partir de energias fósseis, como o carvão, por exemplo. De acordo com a Eurelectric, 58% da geração de eletricidade na Europa já é isenta de emissões poluentes. Em Portugal, a APREN diz que, em média, 56% da eletricidade produzida e consumida no país é de fonte renovável. Além disso, garante a associação das elétricas europeias, na maioria dos países membros da UE é possível escolher postos de carregamento que apenas usam energia renovável. 93% da população europeia tem mesmo a opção de usar eletricidade 100% de fonte renovável para carregar o seu veículo, graças aos mecanismos de Garantias de Origem que certificam a origem da energia. Em Portugal, o governo já anunciou para este ano a criação de um sistema de Garantias de Origem, que até agora não existe.

Da mesma forma, existe a crença de que a mudança em massa para uma frota elétrica a nível europeu irá fazer com que a rede colapse e torná-la estável iria exigir investimentos demasiado avultados. Garante a Eurelectric que mesmo num cenário em que 80% dos carros de passageiros fossem elétricos, isto levaria apenas a um aumento de 10 a 15% no consumo total de eletricidade. De facto, à medida que a percentagem de veículos elétricos cresce, é possível limitar significativamente os investimentos adicionais em redes de distribuição, graças ao carregamento inteligente: tendo em conta que os carros estão estacionados 95% do seu tempo, as suas baterias podem ser usadas para estabilizar a rede, enquanto os proprietários dos carros são remunerados pela energia que injetam na rede.

Por forma a estimular a mobilidade elétrica, o que deve vir primeiro? Mais carros elétricos nas estradas? Ou a construção de uma rede pública de carregamento espalhada por todo o país, com uma capacidade otimizada de 10 veículos por posto? De acordo com a Eurelectric, esta questão não se coloca porque no final de 2018 já existiam 150 mil postos públicos de carregamento por toda a Europa. Outra tendência tem a ver com o facto de que muitos proprietários preferem carregar o carro em casa ou no trabalho, uma tendência que se vai acentuar no futuro e chegar aos 85%. Enquanto isso, em pelo menos 17 países europeus existem apoios públicos para a construção de rede de carregamento, com vista aos utilizadores que não têm garagem ou não podem carregar em casa ou no trabalho.

Um das grandes queixas prende-se com o facto de que carregar um veículo elétrico demora demasiado tempo, mas isso depende da capacidade da bateria instalada no veículo. Por toda a Europa já há postos de carregamento super rápidos (150 kW – 80% da bateria carregada em 20 minutos), mas o número de veículos com capacidade para carregar a esta velocidade ainda é limitado. Em casa, carregar o carro durante a noite com um carregador de 11kW demora cerca de seis horas, no caso de uma bateria de de 60kWh, com autonomia para cerca de 300 quilómetros. De última geração são os carregadores de 350 kW, que deixam o carro carregado em apenas oito minutos.

Por último, um mito recorrente diz que não de pode carregar um caro elétrico à chuva, sob pena de ser eletrocutado. Mas claro que os veículos vêm equipados de série com uma tecnologia que permite carregamentos em qualquer situação meteorológica mais adversa.

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