Ásia reforça liderança na produção mundial de calçado

Calçado português reforça posição no mundo
Calçado português reforça posição no mundo

A China reforçou a sua liderança indisputada na produção mundial de calçado, com uma quota de 63,3%. Dos 22 mil milhões de pares produzidos, o ano passado, em todo o mundo, a China foi responsável por 14,2 mil milhões de pares. Em segundo lugar surge a Índia, com 9,2% de quota, referente a 2,065 mil milhões de pares, e em terceiro o Brasil com 4% e 900 milhões de pares de sapatos. O único país europeu no top 10 dos maiores produtores mundiais é a Itália e surge, precisamente, na última posição, com uma quota de 0,9% e 202 milhões de pares de sapatos produzidos. Os dados são do World Footwear Yearbook, que amanhã ser apresentado na GDS pela associação do calçado, a APICCAPS.

No que ao consumo diz respeito, a China reforça a sua quota para 19% (era de 17,3% em 2012), com quase 3,7 mil milhões de pares comprados. Ao segundo lugar ascendem os Estados Unidos (com 11,8% de quota e 2,285 milhões de pares), que relegam para terceiro a Índia, cuja quota caiu de 11,9% para 10,7%. O Reino Unido, a Alemanha e a França, mantiveram as mesmas posições no top 10 que no ano anterior, respetivamente, sétimo, nono e décimo maiores consumidores mundiais de calçado.

Segundo este estudo do setor apresentado anualmente pela APICCAPS na feira de calçado alemã de Dusseldorf, Portugal mantém o 11º lugar no ranking mundial dos países exportadores, com 2,305 mil milhões de dólares (1,716 mil milhões de euros) de calçado exportado em 2013, correspondente e 74 milhões de pares. O preço médio de 31,01 dólares (23,08 euros) por par assegura-nos o segundo preço mais elevado do mundo, só abaixo do italiano, que se situa nos 48,78 dólares (36,30 euros). O espanhol está nos 21,70 dólares (16,16 euros) e o francês nos 30,78 dólares (22,91 euros).

Números que, para Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, mostram que, “mesmo num cenário particularmente difícil, como o que vivemos o ano passado, a indústria conseguiu manter-se competitiva, fruto dos investimentos em matéria de imagem e promoção internacional, e volta a perfilar-se como um país de vocação fortemente exportadora assente no segundo preço mais elevado do mundo”.

Para este responsável, a indústria portuguesa soube “prever e antecipar a lógica de domínio avassalador da Ásia na produção de calçado e, por isso, migrou atempadamente a sua produção para segmentos de maior valor acrescentado, sendo apenas ultrapassada nesta prestação pela Itália”. Mesmo a França e a Espanha “continuam abaixo de nós, pelo que que estes dados vêm revalidar o acerto da nossa opção estratégica”, frisa, acrescentando que o preço médio da China não chega sequer aos cinco dólares. “Se tivéssemos optado por outro modelo de negócio, provavelmente teria sido o nosso suicídio”, defende.

O continente asiático intensificou, ainda, o seu papel enquanto exportador, sendo que a sua quota – 86% – “é mais de 6 vezes a de todos os outros continentes juntos”, destaca o World Footwear Yearbook, acrescentando que, “com 11%, a Europa ocupa um distante segundo lugar”. E analisados os dados da última década, a APICCAPS conclui que a Ásia cresce seis pontos percentuais em termos de volume, mas ao nível do valor esse reforço é de 12 pontos percentuais, com uma quota que passa de 49 para 61%.

Em sentido contrário, a Europa perde peso em volume (de 13 para 11%), mas sobretudo em valor (de 44% para 35% de quota mundial). “Apesar da perda de terreno da Europa, este continente representa, ainda, metade do total das importações mundiais de calçado e mantém a liderança no que ao valor das exportações diz respeito, aumentando o preço médio das exportações dos 19 dólares (14,14 euros) por par em 2003 para os 26 dólares (19,35 euros) em 2013”, destaca o estudo.

O preço mais baixo de exportação é o da Ásia que, apesar do aumento de 60% na última década, os seis dólares por par (4,46 euros). A China, que assegura, sozinha, 73,4% das exportações totais de calçado no mundo (10,577 mil milhões de pares de sapatos), não vai além de um preço médio de 4,55 dólares (3,38 euros).

Interessantes são os dados que mostram que 75% das exportações asiáticas se destinam a países de outros continentes, enquanto que, no caso europeu, 86% do que é vendido se mantém no espaço comunitário.

Em termos de segmento de produtos, o calçado de couro, entendido como o de maior valor acrescentando e aquele em que Portugal mais tem apostado, tem vindo a perder terreno. Representa só 16% do total das exportações mundiais em termos de volume e 47% em termos de valor. “Isto apesar dos preços do calçado de couro terem duplicado na última década”, pode ler-se no World Footwear.

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