Mercado petrolífero

Ataque a petroleiros no Golfo faz subir preço do petróleo, mas pouco

O preço do barril de petróleo Brent, para entrega em agosto, abriu em alta no mercado de futuros de Londres, a valer 61,75 dólares, mais 0,50%.

Dois petroleiros, um norueguês e outro japonês, foram alvo na quinta-feira, 13 de junho, de um violento ataque no mar de Omã, em pleno Golfo, uma região permanentemente sob tensão devido à crise entre os Estados Unidos e o Irão. O incidente fez-se sentir de imediato nos preços do petróleo.

Esta sexta-feira, o preço do barril de petróleo Brent, para entrega em agosto, abriu em alta no mercado de futuros de Londres, a valer 61,75 dólares, mais 0,50% do que no fecho na sessão anterior. Na quinta-feira, o preço do barril fechou nos 61,44 dólares, mais 2,45 do que na sessão anterior.

Por cá, nos postos de abastecimento, os preços dos combustíveis para os consumidores finais em Portugal deverão continuar a descer, depois da queda histórica registada na passada segunda-feira. Por comparação com os valores de há um ano, o preço da gasolina está, pelo menos, oito cêntimos mais barata.

Os analistas ouvidos pela Bloomberg desvalorizaram no entanto a subida do preço do petróleo no seguimento do ataque, lembrando que no passado uma mera ameaça de possíveis ataques no mar de Omã, por onde passa 35% do transporte marítimo de petróleo do mundo, teria feito os preços disparar pelo menos 5%, enquanto no dia do ataque, em Nova Iorque, o preço do crude aumentou apenas 2%, refere a agência de notícias.

De acordo com a Reuters, as principais bolsas europeias abriram esta sexta-feira em queda, com os investidores a aguardarem pela divulgação de dados macroeconómicos na China e nos EUA (pós-reunião da Reserva Federal norte-americana e reunião do G20 a ter lugar no final do mês) e atentos a tensões crescentes no Golfo Pérsico.

De acordo com a análise da Bloomberg, o abrandamento do crescimento económico mundial combinado com o aumento da produção de petróleo pelos Estados Unidos está a fazer aumentar as reservas totais da maior economia do mundo: 15,7 milhões de barris em maio de 2019 (o valor mais alto desde 1991). Por causa disso, as importações de petróleo dos EUA de países do Golfo Pérsico está nos níveis mais baixos de sempre, diz a Bloomberg.

Forças contraditórias explicam porque é que o mercado petrolífero aceitou estes ataques a petroleiros no mar de Omã com “relativa calma”, no seguimento de eventos semelhantes na mesma área durante o último mês. “Há muito fatores a contribuir para que o preço do petróleo não aumente”, disse à Bloomberg Richard Fullarton, fundador do fundo de investimento Matilda Capital Management, baseado em Londres.

Para já, um dos principais problemas que realmente preocupa os analistas é a crescente tensão e conflito comercial entre os EUA e a China, os dois grandes consumidores de petróleo do mundo – em conjunto absorvem um terço da produção mundial.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem vindo a subir gradualmente as taxas alfandegárias impostas a produtos chineses, com o pretexto de querer reduzir o gigantesco défice comercial dos Estados Unidos com a China. Por sua vez, a China, que tem retaliado as medidas dos Estados Unidos, afirma que quer continuar as negociações comerciais, mas recusa a pressão norte-americana.

No dia do ataque aos petroleiros, o preço do barril de petróleo Brent, para entrega em agosto, terminou no mercado de futuros de Londres nos 61,44 dólares, 2,45% a mais do que no final da sessão anterior. O crude do mar do Norte, de referência na Europa, concluiu o dia no International Exchange Futures com um aumento de 1,47 dólares em relação à última negociação, quando fechou 59,97.

De acordo com os analistas, o preço do barril de Brent subiu devido ao ataque contra dois petroleiros no Golfo Pérsico, o que gerou receio de interrupções na oferta naquela região, uma das principais rotas mundiais do comércio de petróleo.

Por seu lado, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reviu em baixa a procura mundial de petróleo em 2019, prevendo que a procura de crude avance para 99,86 milhões de barris diários, menos 70.000 do que o valor estimado no mês anterior. No seu relatório mensal, a OPEP apontou assim que a procura mundial vai subir em 1,14 milhões de barris por dia.

Por outro lado, o grupo de produtores mantém a previsão de crescimento da economia mundial em 3,2% este ano, mas adverte que o aumento das disputas comerciais, sobretudo entre os Estados Unidos e a China, pode levar a “um menor crescimento a curto prazo”.

Para a OPEP, a tensão comercial entre Washington e Pequim tem provocado alguma incerteza sobre a evolução da economia, o que, por sua vez, levou à alta volatilidade dos preços do petróleo registados nas últimas semanas.

A produção dos 14 sócios da OPEP caiu em maio em 236.000 barris por dia, impactada, sobretudo, pelo Irão com uma descida de 227.000 barris diários.

Washington e Teerão trocam acusações sobre ataque a petroleiros

Depois do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ter acusado imediatamente o Irão de ser “responsável” pelos ataques contra dois petroleiros no mar de Omã, após anteriores incidentes com quatro navios, incluindo três petroleiros, ao largo dos Emirados Árabes Unidos, o Governo do Irão veio rejeitar “categoricamente” a alegação dos EUA, condenando também os incidentes “com a maior veemência possível”.

“O Governo dos Estados Unidos considera que a República islâmica do Irão é responsável pelos ataques de hoje no mar de Omã”, disse Pompeo perante os media em Washington.

Ao justificar as suas acusações, Pompeo evocou as informações recolhidas pelos serviços de informações, “as armas utilizadas”, os anteriores ataques contra os navios que Washington também atribuiu a Teerão e o facto de nenhum dos grupos aliados do Irão na região possuir os meios para atingir “um tal nível de sofisticação”. O secretário de Estado considerou ainda que o Irão pretende impedir a passagem de petróleo pelo estreito de Ormuz.

Pelo contrário, o Governo iraniano declarou que “o Irão está pronto para desempenhar um papel ativo e construtivo em garantir a segurança das passagens marítimas estratégicas, bem como promover a paz, a estabilidade e a segurança na região”. A mesma nota do governo de Teerão alerta para a “coerção, intimidação e comportamento maligno” de Washington.

O guia supremo do Irão, Ali Kamenei, recusou já qualquer diálogo com o Presidente dos EUA, Donald Trump, na presença do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, de vista a Teerão.

Por sua vez, Trump considerou ser demasiado cedo para “admitir que seja encontrado um acordo” entre os dois países inimigos. “Eles não estão prontos e nós também não”, escreveu o milionário republicano na sua conta Twitter.

Com Lusa

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