Poupança para a Vida

Audácia primeiro, prudência depois

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Estratégias de poupança devem ser adaptadas a cada momento da vida. A partir dos 40 é necessária atenção redobrada.

A maior estabilidade profissional e a possibilidade de um melhor planeamento do futuro, que os 40 anos normalmente trazem, são ideais para dar atenção redobrada à reforma. “Em princípio estaremos a falar de pelo menos mais 25 anos de carreira profissional, o tempo necessário para poder constituir um bom fundo de maneio para o período em que mais iremos precisar”, diz Pedro Lino, da Dif Broker.
Contudo, para o gestor de fundos, a estratégia de poupança deve mudar ao longo do tempo. “Para as pessoas entre os 40 e os 55 anos existem produtos que permitem ter uma exposição ao mercado acionista, historicamente com maior rentabilidade, mas também com maior risco”, diz o especialista, que sublinha que esta faixa etária é a mais propícia para arriscar, já que eventuais quedas nos mercados são recuperáveis em cinco ou dez anos. Já a partir dos 55 anos, a escolha deve prever uma maior exposição a obrigações.

Para Pedro Lino, os fundos de investimento em ações têm vindo a revelar-se um excelente investimento, já que alguns capitalizam os dividendos distribuídos pelas empresas. “E, no caso dos planos poupança reforma [PPR], existe uma tributação benéfica após o oitavo ano, o que, quando conjugado com o efeito de capitalização, exponencia os ganhos a longo prazo”, explica o especialista. Por sua vez, os fundos flexíveis, disponibilizados por algumas gestoras de fundos, permitem ajustar-se ao ciclo do mercado, podendo estar expostos a ações entre zero e 100%. Neste caso, são necessários alguns cuidados, que passam por escolher os fundos que têm melhor track record ou que tenham sido premiados, por exemplo, pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP).

“Se o investidor tiver acesso direto aos mercados deve ter cuidado com o excesso de confiança que normalmente deriva da utilização de produtos com alavancagem e de maior risco, colocando em causa o seu objetivo de longo prazo”, alerta ainda Pedro Lino, para quem o investimento em PPR de ações ou fundos protege, por si só, do risco de concentração e de alavancagem. Para o especialista, os PPR e os fundos de investimento com objetivos de longo prazo são os produtos que mais garantias oferecem. Ainda assim, alerta, há que ter sempre em consideração quais os objetivos de investimento – se o pagamento de prestações da casa, se o pagamento dos custos com educação dos filhos ou a compra de carro.

Assim, uma poupança pensada para um complemento de reforma deve incidir mais sobre um PPR de ações que, para Pedro Lino, poderá ser utilizado para pagamento das prestações do crédito à habitação. “Caso o objetivo seja poupar para a educação dos filhos ou dos netos, então o foco deve ser um fundo mais exposto a ações, um fundo flexível que permita reduzir a exposição a ações em períodos mais instáveis”, avança o gestor de fundos, que, para compras a mais curto prazo, desaconselha o investimento em mercados financeiros, ou em qualquer produto cujo objetivo seja inferior a dois anos.

Considerando os portugueses com rendimentos mais baixos, mas que possam poupar a partir de 25 euros por mês, Pedro Lino aconselha os PPR. “Estes produtos conferem dois tipos de benefícios: no montante anual aplicado, um limite de deduções no IRS de 20% do PPR, com um máximo de 350 euros, dependendo da idade, e na maturidade uma tributação mais favorável de apenas 8%.”SAIBA MAIS

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