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Auditoras favoráveis a novo modelo que “reduz os escândalos”

Auditoras querem que auditorias conjuntas sejam incentivadas

O ministro das Finanças admitiu esta quinta-feira “aperfeiçoar e corrigir” a atual legislação relativa às auditorias. Em causa está a transposição “incompleta”, na visão das auditoras, da regulamentação europeia que entrou em vigor este ano.

A principal reivindicação dos revisores é a adoção da “joint audit”, ou auditoria conjunta, que iria mudar radicalmente a forma como são auditadas as empresas em Portugal. Com a auditoria conjunta, passam a ser duas empresas a exercer o papel de fiscalização de uma entidade, uma prática incentivada pelo regulamento da UE.

Na legislação aprovada já em 2014, o Parlamento Europeu defendia que a nomeação de mais do que um revisor oficial de contas “contribuiria para melhorar a qualidade da auditoria”.

“Essa medida, combinada com a presença de sociedades de revisores oficiais de contas de menores dimensões no mercado de auditoria, facilitaria o desenvolvimento da capacidade dessas sociedades, alargando assim a escolha de revisores oficiais de contas e sociedades de revisores oficiais de contas à disposição das entidades de interesse público”, acrescenta a norma comunitária.

José Rebouta, partner da auditora Mazars, considera que a atividade só teria a ganhar com a adoção do “princípio dos quatro olhos”.

“Além de reduzir as probabilidades de familiaridade entre o cliente e o auditor, vai reforçar a capacidade técnica e de apresentação de argumentos do serviço de auditoria até ao final”, uma vez que os dois auditores têm de subscrever o mesmo relatório final.

Para o responsável da Mazars, a auditoria conjunta deve ser, “numa primeira fase”, opcional e não mandatória. “O mercado vai reconhecer benefícios nas entidades que optarem por este modelo”, considera José Rebouta.

Na sessão de abertura do congresso da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, que teve lugar na manhã desta quinta-feira, Mário Centeno reconheceu que “ao longo das últimas décadas, ocorreram problemas nos mercados financeiros, alguns relacionados com a prestação de contas das sociedades auditadas, e que, por causa desses acontecimentos, assistimos à transferência de uma parte significativa do risco, dos ónus e das responsabilidades, que recaiam designadamente sobre os órgãos de gestão, para os revisores oficiais de contas”.

Casos como o BPP, BPN, BES ou Banif são exemplos recentes de auditorias falhadas.

Carlos Tavares, presidente da CMVM, afirmou mesmo que “alguns casos bem conhecidos podiam ter sido evitados se isso tivesse sido aplicado”.

Segundo José Rebouta as auditorias conjuntas são um “modelo que reduz os escândalos”, porque “quando as coisas não correm bem é o mercado que perde. Se houvesse auditoria conjunta a janela de oportunidade seria mais reduzida”, conclui o especialista.

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