Auditoria Cidadã à Dívida propõe comissão no Parlamento para “aumentar consciência” do país

Vítor Gaspar
Vítor Gaspar

O economista José Castro Caldas defendeu hoje que o Parlamento deveria criar uma comissão de auditoria à dívida, composta por responsáveis de instituições públicas e aberta aos cidadãos, que “permita aumentar a consciência da sociedade portuguesa”.

“Nós defendemos que a Assembleia da República devia constituir uma comissão de auditoria e de preparação da renegociação”, afirmou Castro Caldas, um dos responsáveis da Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida (IAC), após uma reunião com os coordenadores do BE.

José Castro Caldas referiu que “não se trata de uma comissão parlamentar, mas de uma comissão que represente a reunião num corpo de todos os recursos de que o Estado dispõe para analisar o problema do endividamento e da reestruturação da dívida”.

A comissão, acrescentou, seria composta “por pessoas que participam em diferentes instituições públicas e que têm boa parte do conhecimento”, mas aberta “à participação cidadã, com um funcionamento transparente e que informe e permita aumentar a consciência da sociedade portuguesa acerca do que está em causa”.

O economista defendeu que precisa de uma “reestruturação profunda” para sair da “armadilha da dívida” e não “de uma modificação meramente cosmética das condições de pagamento”.

Para José Maria Castro Caldas, o prolongamento das maturidades “é como se alguém estivesse com água pelo pescoço e lhe retirassem o único centímetro necessário para continuar a respirar”.

“O que está inscrito nas condições do memorando é uma situação em que durante décadas o país estaria condenado a expatriar toda a sua poupança, privando-se de toda a capacidade de investimento, de criação de emprego, de desenvolvimento”, advertiu.

Neste contexto, o professor da Universidade de Coimbra disse que só uma “reestruturação profunda da dívida junto dos credores privados e oficiais” permitirá “libertar recursos do Orçamento e da economia portuguesa para a criação de emprego, através do investimento” e abandonar “o percurso recessivo”.

“Trata-se de uma renegociação que tem de reduzir os juros que a dívida privada paga, como provavelmente os juros que o país paga pela sua dívida externa, uma reestruturação que tem de abranger a dívida pública e provavelmente parte da dívida bancária”, declarou.

Para Castro Caldas, esta negociação para uma “reestruturação profunda” deve começar “rapidamente, antes que a situação se degrade muito mais”.

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