Aumento do salário mínimo ou pensões. Saiba o que muda com o OE2021 em janeiro

O Orçamento do Estado para 2021 traz várias alterações, já a partir desta sexta-feira, dia 1. Em comunicado, o Ministério das Finanças aponta as principais mudanças. Aumento de pensões só para fevereiro.

Aumento do salário mínimo, um aumento das pensões mais baixas ou creches gratuitas para mais de 60 mil crianças. A chegada de um novo ano representa também a entrada em vigor do novo Orçamento do Estado para 2021 (OE2021). Em comunicado, o Ministério das Finanças resume as principais mudanças trazidas pelo documento.

"Para fazer face às consequências da pandemia Covid-19, o OE2021 assenta num conjunto de políticas muito ambiciosas de resposta à crise, nomeadamente, de reforço do Serviço Nacional de Saúde, aumento do rendimento das famílias, robustecimento da rede de proteção social e de apoio à atividade das empresas e estímulo à economia", resume o Governo.

1. Salário mínimo nacional sobe para 665 euros

O salário mínimo nacional sobe 30 euros, fixando-se nos 665 euros em 2021. "Trata-se de um aumento de 30 euros face a 2020 (+ 4,7%) e uma valorização de 160 euros (+ 32%) face a 2015", indica o Governo, destacando que este aumento também terá impacto nos salários dos trabalhadores da Administração Pública.

2. Atualização extraordinária das pensões em 10 euros (mas só chegará em fevereiro)

Os pensionistas com rendimentos mais baixos vão ter um aumento extraordinário das pensões de 10 euros.

O executivo destaca que este aumento chegará a 1,9 milhões de pensionistas, que auferem pensões até 658,2 euros.

Este aumento relativo ao mês de janeiro será pago em conjunto com o mês de fevereiro, explica o documento.

3. Novo apoio social para trabalhadores desprotegidos

Quem viu os rendimentos reduzidos pela crise pandémica terá acesso a um apoio ao rendimento, que abrangerá:

- Trabalhadores por conta de outrem que percam acesso a prestações de desemprego em 2021, ou, não reunindo condição de período de garantia, tenham pelo menos 3 meses de contribuições nos 12 meses anteriores ao da situação de desemprego;

- Trabalhadores independentes economicamente dependentes;

- Trabalhadores independentes com, pelo menos 3 meses de contribuições nos 12 meses anteriores ao do requerimento e com quebras de faturação superiores a 40%;

- Trabalhadores do serviço doméstico;
- Membros de órgãos estatutários e gerentes pelo menos, três meses seguidos ou seis meses interpolados de contribuições nos 12 meses imediatamente anteriores ao requerimento do apoio;

- Os trabalhadores estagiários ao abrigo da medida de estágios profissionais;

- Os trabalhadores em situação de desproteção económica e social que não tenham acesso a qualquer instrumento ou mecanismo de proteção social.

O Governo estima que esta prestação social, que tem como referência o valor do limiar da pobreza (501,16 euros) possa chegar a 258 mil pessoas.

4. Valor mínimo do subsídio de desemprego sobe e prestação é prolongada por seis meses

O limiar mínimo do subsídio de desemprego será aumentado de 438,81 euros para 504,6 euros para trabalhadores a tempo inteiro, abrangendo cerca de 130 mil pessoas. Ao mesmo tempo, os trabalhadores cuja atribuição do subsídio de desemprego termine durante o ano de 2021 terão direito a uma prorrogação deste apoio por mais 6 meses.

5. Creches gratuitas para mais de 60 mil crianças

O ano novo traz o alargamento das creches gratuitas para todas as crianças que frequentem creches públicas ou abrangidas pelo sistema de cooperação, passando a abranger os agregados familiares que pertençam ao 1.º e ao 2º escalões de rendimento da comparticipação familiar.

6. Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva garante salários a 100%

O Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva é prorrogado até 30 de junho de 2021. Para salvaguardar os rendimentos dos trabalhadores que estejam abrangidos por este apoio ser-lhes-á garantido o pagamento de 100% da retribuição até ao limite de três salários mínimos (1995 euros), sem esforço adicional das empresas.

Desta forma, em 2021, todos os trabalhadores abrangidos pelo apoio, cuja retribuição não ultrapasse o valor de 3 salários mínimos, passam a ter o seu salário garantido por inteiro. O pagamento de salários na íntegra abrange também os trabalhadores que se encontrem abrangidos pelo layoff simplificado ou do Código do Trabalho.

7. Reforço do SNS com mais médicos e camas

O OE2021 contempla o reforço do Serviço Nacional de Saúde, considerado como "prioritário em 2021", com os meios necessários para:
- A contratação de 4200 trabalhadores para o SNS e de mais 261 trabalhadores para o INEM;
- O reforço das Unidades de Cuidados Continuados Integrados: pretende-se abrir 400 novas camas para a rede geral; 10 Unidades de Dia e Promoção de Autonomia, com 200 lugares (experiências-piloto); 600 novos lugares nos CCI de Saúde Mental;
- O reforço muito significativo do investimento, nomeadamente de 150 milhões de euros ao nível dos cuidados de saúde primários para equipamento e instalações e de 50.5 milhões de euros para substituição e compra de equipamento pesado hospitalar.

8. Contratações na escola pública e 400 milhões para digitalização

Ao longo de 2021 vão ser contratados mais 5 mil assistentes operacionais para as escolas públicas, distribuídos de acordo com as características de cada comunidade educativa, explica o comunicado do Ministério das Finanças.

Para aproveitar as oportunidades da sociedade digital, o OE2021 reserva 400 milhões de euros para um programa de digitalização das escolas, é indicado.

9. Ajustamento das tabelas de retenção na fonte de IRS

Em 2021, o Governo dará continuidade ao percurso gradual e progressivo no sentido de se esbater o diferencial entre as retenções na fonte realizadas pelos trabalhadores dependentes e o valor final de imposto a pagar.

Este ajustamento disponibilizará cerca de 200 milhões de euros às famílias no próximo ano.

No entanto, os reeembolsos do próximo serão, consequentemente, mais baixos com as novas tabelas de retenção.

10. Mínimo de existência aumenta em 100 euros

O chamado mínimo de existência, valor mínimo até ao qual os contribuintes ficam isentos do pagamento de IRS, será aumentado em 100 euros para 9.215 euros.

São cerca de 30 mil novos agregados que ficarão assim também isentos do pagamento deste imposto.

11. Descida do IVA da eletricidade para famílias numerosas

A redução do IVA da eletricidade - para uma taxa intermédia de 13% para os consumos até 100 kilowatts hora (kWh) de consumo mensal - entrou em vigor a 1 de dezembro, o que significa que a fatura do mês de janeiro já poderá refletir a poupança.

Mas o OE2021 traz, a partir de março, uma majoração de 50% e a taxa de IVA de 13% até aos 150 kWh de consumo mensal para as famílias numerosas, com cinco ou mais elementos.

12. Proibido o corte de água, luz, gás e comunicações durante primeiro semestre

O OE2021 contém uma norma que proíbe o corte de serviços essenciais como fornecimento de água, eletricidade, gás natural ou comunicações (neste último caso, caso o consumidor esteja desempregado, tenha uma quebra de rendimentos superior a 20% ou seja infetado pela COVID-19) durante o primeiro semestre de 2021.

13. Crédito Fiscal Extraordinário de Investimento

"O Crédito Fiscal Extraordinário de Investimento revela-se essencial no esforço de realização de investimento e de criação e manutenção de postos de trabalho no próximo ano", indica o comunicado.

Trata-se de uma dedução à coleta de IRC correspondente a 20% das despesas de investimento realizadas até final do primeiro semestre de 2021, até um limite de 5 milhões de euros, a ser usada por um período máximo de 5 exercícios, com a obrigação de manutenção de postos de trabalho durante o período de utilização do crédito fiscal, com um mínimo de três anos.

14. Pagar IVA e IRC em prestações

No primeiro semestre do ano, as empresas e o os trabalhadores independentes podem beneficiar de um faseamento especial e transitório das entregas do IVA.

15. IVAucher: entrada em vigor condicionada ao evoluir da pandemia

O Programa IVAucher pretende estimular o consumo nos setores mais afetados pela pandemia e, ao mesmo tempo, aumentar o rendimento disponível das famílias em cerca de 200 milhões de euros, aponta o Governo.

Os consumidores vão poder acumular 100% do IVA incorrido nos setores do alojamento, cultura e restauração num período de 12 semanas, ficando aquele saldo disponível para utilização também naqueles setores durante um outro período de 12 semanas.

No entanto, é sublinhado que a entrada em vigor desta medida está condicionada ao evoluir da crise sanitária.

16. Adesão às moratórias prolongada

Foi aprovada a alteração ao regime da moratória bancária, permitindo novas adesões até ao dia 31 de março e por um período de até nove meses, a contar da data de adesão. Assim, as famílias e empresas que peça a moratória em janeiro, por exemplo, podem beneficiar da ausência de prestações até setembro.

As empresas que integrem os setores mais afetados da pandemia continuam ainda a beneficiar de uma extensão da maturidade dos seus créditos, pelo período de 12 meses, que acresce ao período em que os créditos foram diferidos, permitindo que os pagamentos sejam feitos de forma mais faseada e em linha com a evolução da atividade económica.

Ou seja, às novas adesões são aplicáveis as regras que hoje se aplicam às moratórias já existentes, salvo quanto à data de adesão, ao período de moratória e ainda às condições de acesso às mesmas, que foram flexibilizadas para permitir que as empresas e famílias em dificuldade possam recorrer a este mecanismo, caso necessário.

17. Garantias públicas às medidas de apoio à economia

O OE2021 prevê a concessão de garantias públicas de até 6 mil milhões de euros, permitindo com esse compromisso, a criação de linhas de crédito de apoio à economia, detalha o executivo.

"Este montante permitirá a manutenção e o reforço dos apoios já criados, dirigidos às empresas e famílias, incluindo a preservação dos postos de trabalho e do apoio à liquidez e à tesouraria dos agentes económicos, bem como do regular financiamento da economia."

18. Redução do preço das portagens em ex-SCUT e em autoestradas do Interior

A partir do dia 11 de janeiro, os passageiros particulares frequentes e os veículos de transporte de passageiros vão ter descontos na passagem pelas portagens das antigas SCUT (autoestradas sem custos para os utilizadores).

Os veículos de classe 1 e 2 têm uma redução de 25% a partir do oitavo dia de utilização num mês na mesma via. Este desconto vai incidir sobre determinados lanços ou sublanços de 10 vias: A22 - Algarve; A23 - IP; A23 - Beira Interior; A24 - Interior Norte; A25 - Beiras Litoral e Alta; A28 - Norte Litoral; A4 - Subconcessão AE transmontana; A4 - Túnel do Marão; A13 e A13-1 - Subconcessão do Pinhal Interior.

No caso dos veículos de transporte de mercadorias, o atual desconto sobe em 2021: 35% de dia e 55% à noite. O desconto de 55% abrange igualmente fins de semana e feriados.

Este regime de desconto é alargado ao transporte de passageiros para incentivar o uso do transporte coletivo. Os lanços ou sublanços abrangidos para transportes de mercadorias e de passageiros incluem-se nas 10 vias descritas anteriormente, às quais se juntam a Concessão do Grande Porto (A4, A41 e A42) e Concessões Costa da Prata (A17, A25 e A29), harmonizando os regimes de descontos vigentes.

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