Austeridade já não é consensual na Europa

Merkel vem a Portugal em novembro
Merkel vem a Portugal em novembro

François Hollande deu ontem um sinal de qual será a posição
que vem defender hoje, em Bruxelas, na Cimeira Europeia. O Presidente
francês lançou duras críticas à política de austeridade
concretizada pelo governo de Passos Coelho e considerou que “os
abusos de outros” estão a sair “caros” aos
portugueses.

Ao contrário do que é habitual, Portugal não merecerá qualquer
nota no documento final que será aprovado pelos líderes europeus. O
que também pode ser interpretado como um sinal de que a política
defendida por Vítor Gaspar, perante o país, deixou de ser
consensual entre os 27Estados-membros da UE.

O Presidente francês tem vindo a defender uma aposta no
crescimento, em vez de mais austeridade. Mas agora foi mais longe nas
críticas, chegando a classificar como “abuso” a política
que está a ser seguida. François Hollande considera que os
portugueses, assim como espanhóis, “estão a pagar caro os
abusos praticados por outros”. “Chegou a hora de oferecer
outra perspetiva que não seja só austeridade”, afirmou
Hollande, numa entrevista publicada ontem no jornal espanhol El País.

A nível europeu “existem preocupações” com a atual
situação em Portugal. Entre as delegações dos restantes membros
da União Europeia “há uma preocupação acrescida” com as
manifestações contra a austeridade, apurou o Dinheiro Vivo. “É
essencialmente este o género de preocupações que existe” e
que “nada têm a ver” com a instabilidade da coligação
que apoia o governo. Apenas sobre “o modo como a rua reage às
políticas de austeridade”, revelou fonte europeia.

Portugal têm tido até aqui o respeito dos parceiros europeus
“graças à boa aplicação do programa”, negociado com a
Comissão Europeia, o FMI e o BCE. No documento que é assinado pelos
27 no final das reuniões de alto nível, tornou-se habitual constar
uma nota na qual é referido que “Portugal está no caminho
certo”, seguida de uma mensagem de encorajamento. Desta vez tal
não acontecerá.

Espera-se a apresentação de um roteiro específico e
calendarizado para a consecução de uma verdadeira União Económica
e Monetária. “No pensamento de todos estará a declaração do
Eurogrupo sobre a recapitalização da banca”, adiantou a mesma
fonte, sublinhando que o que a Alemanha anunciou, em junho, “não
foi a aprovação em dezembro da recapitalização da banca”.

*Em Bruxelas

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