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Autoestradas do Douro Litoral nas mãos dos credores

Fotografia: Amin Chaar/Global Imagens
Fotografia: Amin Chaar/Global Imagens

A Brisa não conseguiu chegar a acordo com os credores. A Douro Litoral passa a ter novos acionistas e nova gestão.

A Brisa perdeu ontem, quinta-feira, a concessão da Autoestradas do Douro Litoral (AEDL), tendo as participações sido transferidas para um conjunto de credores liderado por fundos de investimento.

A tomada das posições na concessionária da A41, A43 e A32 é justificada pelo incumprimento, nos últimos cinco anos, das “obrigações de pagamento de reembolsos de capital, juros, custos e comissões dos seus contratos financeiros, devido a uma estrutura de custos elevados e níveis de tráfego que estão abaixo das expectativas” iniciais, avança o comunicado da AEDL.

“Neste momento, não temos comentários a fazer”, limitou-se a dizer a Brisa. A maior operadora privada de infraestruturas de transporte em Portugal já tinha sido confrontada com a possibilidade de os credores assumirem a AEDL em dezembro do ano passado. Na altura, as várias entidades estavam em negociações com vista a um acordo de pagamento da dívida, que ronda os mil milhões de euros. A Brisa entrou em incumprimento em 2014.

Os credores da Brisa são fundos de investimento “geridos ou assessorados pela Strategic Value Partners e as suas afiliadas (SVPGlobal) e Cross OceanAdviser e as suas afiliadas (Cross Ocean Partners)”, que compraram dívida de 1,5 mil milhões a bancos portugueses por cerca de 350 milhões de euros (dado o risco), conforme já foi noticiado. Dentro das negociações em curso desde outubro do ano passado, o grupo liderado por Vasco de Mello tinha apresentado uma proposta para pagar a dívida com um desconto de 60%. As conversações parecem que saíram frustradas e agora a AEDL tem novos acionistas e nova administração. Tudo aponta para que “queiram condicionar a negociação”, dizem fontes do setor.

O conselho de administração da AEDL será presidido por Andy Pearson, que conta mais de dez anos de experiência no setor das infraestruturas, e contará também com José Custódio dos Santos, como diretor geral, com vasto conhecimento do negócio.

A Brisa tem ainda um diferendo com os credores financeiros a propósito da Brisal, concessionária da autoestrada do Litoral Centro. Nesta concessão, a dívida do grupo português ultrapassa os 500 milhões, sendo que também estava em cima da mesa uma proposta para uma redução do valor em 45%. Para já, os credores não decidiram tomar a empresa, como também já ameaçaram.

No total, a Brisa tem uma dívida que ascende a 1,5 mil milhões. Os credores exigiram o pagamento de metade, mas o grupo português considerou essa proposta “absurda”.

AS CONCESSÕES

Douro Litoral
A concessão Douro Litoral integra as autoestradas A43, A41 e A32. No total, tem 79 quilómetros de extensão e serve a Área Metropolitana do Porto. A Brisa assumiu a concessão em 2007 por 27 anos.

Investimento
Segundo a Brisa, a concessão do Douro Litoral implicou um investimento de cerca de mil milhões de euros.

Brisal
A Brisal tem a concessão Litoral Centro (A17), entre a Marinha Grande e Mira, numa extensão de 92,7 quilómetros. A Brisal integra o segundo corredor de ligação, em autoestrada, entre Lisboa e Porto.

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