Trabalho

Automação e digitalização vão mudar empregos

Conferência 65 anos CCILA – “Empregos qualificados exigem qualificações adequadas: Estamos preparados?”, no Europarque.
2º painel
(Tony Dias/Global Imagens)
Conferência 65 anos CCILA – “Empregos qualificados exigem qualificações adequadas: Estamos preparados?”, no Europarque. 2º painel (Tony Dias/Global Imagens)

Indústria 4.0 e a inovação não esperam e estão a levar a grandes transformações nas empresas. Há empregos a perderem-se e novos a surgirem

A indústria 4.0 e a inovação não esperam e estão a levar a grandes transformações nas empresas. Há empregos a perderem-se com a automação e a digitalização e outros novos, “criados de suporte” à nova forma de funcionar das empresas.

Portugal, que é o 13º país mais inovador da União Europeia a 28 (em 2016 éramos o 18º) tem, por isso, que perceber como “manter a trajetória ascendente” neste aspeto e como ganhar rapidamente terreno na tão necessária qualificação e requalificação de recursos humanos.

Este esforço depende não só do esforço público mas “também dos privados” investirem na inovação e na qualificação e requalificação da população ativa. O alerta é de António Bob Santos, administrador da Agência Nacional de Inovação durante a palestra “Os impactos da automação no emprego e no desenvolvimento económico”, que abriu o debate da tarde na conferência que assinala, esta quarta-feira, os 65 anos da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, no Europarque, em Santa Maria da Feira.

Ainda há um longo caminho a percorrer. “Temos um mercado assimétrico”, salienta António Bob Santos, com empresas jovens altamente qualificadas e uma grande quantidade de outras empresas que ainda não fez este caminho. “Basta recordar que 90% das empresas portuguesas são microempresas”, aponta.

Realidade industrial transfigurada
Alexandra Godinho, da Corticeira Amorim, estima que “em três ou quatro anos”, a realidade industrial se vai “transfigurar” e acontecerão coisas que hoje “nem imaginamos”, daí a urgência das qualificações. O trabalho vai mudar e, por isso, é natural que “as qualificações tenham de mudar também”. E encontrar as soluções, frisa, não depende só das empresas, mas também do sistema de ensino e sociedade em geral.

Jurgen Haase, da Volkswagen Autoeuropa, está confiante que a automação irá trazer “ganhos de eficácia brutais” que vão influenciar as empresas e impulsionar a economia. Estamos a cometer um “erro” se virmos questões como a da digitalização como algo separado, “faz parte da vida” e faz sentido que esteja no mercado de trabalho. É preciso suprir a “lacuna na forma de pensar” e a grande “relutância” em mudar.

Também Rita Cadillon, da Primavera Business Software Solutions, considera que é preciso olhar para as questões da digitalização e robotização não apenas como uma diminuição dos postos de trabalho, até porque serão sobretudo de “tarefas mais rudimentares”, mas como “um mundo de oportunidades” para se “reinventarem” e “requalificarem profissionais” para uma nova realidade. Uma realidade em que estarão mais libertos de funções menos agradáveis e a fazer atividades de” valor acrescentado”. E mesmo quando se qualifiquem as pessoas e se consiga reter talentos, é preciso perceber que o paradigma mudou e “não há empregos para a vida”.

As inovações a nível de tecnologia permitirão “libertar” trabalhadores de tarefas, “por vezes penosas” e “reconverte-las para outras atividades, reforça Ana Branco da Cunha, da The Fladgate Partnership, sublinhando que “não há como parar este processo” de um mundo mais tecnológico, digital e robotizado. Estudar passa, assim, a ser uma tarefa para “a vida inteira. Se não, ficam obsoletas em muito pouco tempo”, alerta, a propósito da qualificação de pessoas.

Para quem não acompanhar a evolução, “vai ser tudo mais difícil” e há o risco de algumas empresas e profissionais não conseguirem resistir, considera António Rosas, da KIRCHHOFF Automative. Nesse sentido, defende a importância da “escola”, pois “a formação é fundamental”. Mas não é só de conhecimento tecnológico que vivem as empresas. No caso da Automative, “um terço do dinheiro que gastamos na formação é em cultura e valores”, pois é essencial que haja “cidadania profissional e o respeito pela profissão”, diz António Rosas.

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