Trabalho

Automação faz Centro perder 110 mil postos de trabalho até 2030

Fotografia: Rui Miguel Pedrosa/Global Imagens
Fotografia: Rui Miguel Pedrosa/Global Imagens

Indústrias e agricultura são os setores com mais perdas, aponta estudo que a CIP apresenta hoje em Leiria.

A região Centro do país vai absorver um décimo do desemprego nacional gerado com a automação na próxima década, prevê a Confederação Empresarial Portuguesa (CIP) num estudo que é apresentado esta manhã em Leiria. Os dados, produzidos pela Nova SBE, indicam que a terceira maior região do país terá até 2030 menos 110 mil postos de trabalho do que aqueles que tem hoje.

A manufatura e a agricultura serão os setores mais afetados, com mais de metade das perdas.

Segundo o estudo, a agricultura e a manufatura da região poderão empregar menos 59 600 pessoas, com o Centro a concentrar as maiores perdas nacionais, à proporção do peso que têm no emprego. Serão de 26% e 27%, respetivamente, nas projeções feitas.

Perdas de postos de trabalho

A indústria que mais sentirá o impacto será a dos plásticos e borrachas, com mais de 13 mil postos de trabalho ameaçados. É também uma das que mais perdeu valor acrescentado nos últimos anos. Este foi de -0,7% no período entre 2006 e 2015, depois de ter estado em 3,3% na década anterior.

A metalurgia, com reduções de emprego acentuadas previstas devido ao potencial de automação, também gera baixo valor pelas horas trabalhadas, caindo de 3,4% para 0,3%. Na terceira área industrial mais afetada, o agroalimentar, com 12 mil empregos ameaçados, o valor gerado regista um declínio menor, mas também cai de 2,1% para 1,3%.

Impacto da automação

Já a agricultura do Centro, com uma perda potencial de 15 600 postos de trabalho, tem visto o valor gerado a nível regional crescer acima da média do conjunto da economia, sobretudo a partir de 2012. Porém, este valor encontra-se ainda em terreno negativo.

O documento da CIP, desta vez apresentado com a Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI), detalha agora uma análise nacional feita já em janeiro, a estimar perdas líquidas de 1,1 milhões de empregos em todo o país num cenário semi-conservador de integração de novas tecnologias no trabalho. No pior dos cenários, aquele onde a adoção tecnológica seja mais rápida, serão 1,8 milhões os postos de trabalho eliminados.

No cenário de meio termo, 700 mil trabalhadores serão forçados à reconversão profissional, 134 mil dos quais na região Centro. Em Leiria, a CIP pretende recordar que Portugal detém, na UE, a percentagem mais elevada de adultos com baixas qualificações, situação que se deverá manter até 2025. Mas também que no país investir na formação traz um retorno de até sete vezes, segundo dados do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional.

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