Bacalhau pesa 4,5% das importações de comida

Sabia que o bacalhau é o produto alimentar que tem na sua despensa que Portugal mais importa? Em números redondos, este peixe, que é dos mais apreciados pelos portugueses, representa cerca de 4,5% dos bens alimentares compardos fora. Seguem-se os rebentos de soja e a carne de bovino. Mas nem tudo aquilo que importamos é para consumo interno. Uma parte é mais tarde exportada, o que permite reduzir o temido défice.

Entre os produtos alimentares e agrícolas que produz, consome, importa e exporta, Portugal soma, no final do ano, um défice da ordem dos 30%. Esta média tem-se mantido estável ao longo dos últimos anos e revela que em termos alimentares (pescado não incluído) o grau de auto-aprovisionamento ronda os 70%.

Em valores, isto significou que em 2011, Portugal produziu cerca de 7 mil milhões de bens alimentares de base agrícola, aos quais se somou mais 7,12 mil milhões de euros de produtos importados. A este bolo global foram retirados os 3,78 mil milhões de euros que valeram as exportações. Por comparação com 2010, há a assinalar uma subida das importações e também das exportações. Tendo em conta a quebra de consumo, terão sido estas vendas ao exterior a justificar, pelo menos parcialmente, a subida das importações.

A estes valores e médias globais, escapa todavia a realidade individual dos produtos. Ana Cristina Silva e Mário Negreiro, da consultora Augusto Mateus & Associados fizeram as contas aos produtos alimentares que o país mais importa e concluíram que o primeiro lugar do “ranking” pertence ao bacalhau (ver infografia).

Em 2010, Portugal importou 90, 8 milhões de quilos deste peixe, pelos quais pagou cerca de 360 milhões de euros, mas nem todo foi consumido internamente. Parte foi exportado depois para os países onde as comunidades portuguesas têm maior expressão e 10% tiveram por destino o Brasil. São, de resto, estes movimentos (em que se importa para exportar), que explicam que uma boa parte do bacalhau tenha sido adquirido na Suécia e não no seu pais “natal”, a Noruega, segundo conclui o mesmo estudo.

Os rebentos de soja, as carnes de bovino e de suíno, o milho e o trigo, o peixe e as rações para animais estão também no cabaz dos produtos alimentares mais importados por Portugal e que no limite mais contribuem para agravar o défice externo. Em 2012, apesar da esperada quebra no consumo das famílias e empresas, a situação de seca prolongada que o país atravessa faz antever que a compra de alguns produtos ao exterior – nomeadamente dos cereais e das rações para animais – se intensifique.

Os dados do estudo mostram ainda que ao longo da última década, o volume das importações de bacalhau se manteve estável, à semelhança das de peixe (fresco ou congelado) e do marisco. Já as de sementes de colza, queijo e preparações de alimentos tiveram crescimentos acima dos dois dígitos.

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