CDS-PP

Bagão Félix: “Papel do Presidente é fundamental” para resolver crise política

O antigo ministro das Finanças confessou ter ficado surpreendido com a saída de Paulo Portas, apela a um consenso entre o líder do CDS e o primeiro-ministro e exorta o Presidente da República a ter uma intervenção mais ativa.

Sobre a demissão de Portas, Bagão Félix revelou ontem, em entrevista à SIC, ter sido apanhado de surpresa: “Fiquei surpreendido, não falei com ele antes, foi uma surpresa muito grande”.

“Havia um mal estar mais ou menos expresso, mais ou menos latente.A sensação que eu tinha é que mais tarde ou mais cedo poderia acontecer uma situação destas”, admitiu.

A possibilidade de realização de eleições antecipadas também não vai ser benéfico para o país: “Também não creio que as eleições sejam a melhor solução. Porque as
eleições significam que teremos um Governo em outubro, novembro.Teremos
um orçamento em Janeiro, Fevereiro, o país não aguenta.”

“O papel do Presidente da República terá que ser, neste momento, absolutamente fundamental”, defendeu Bagão Félix que aproveitou para lançar também um apelo de intervenção a Cavaco Silva. “Esta questão é uma falta de respeito muito grande pelos sacrifícios que os portugueses fizeram sem grande resultado infelizmente, pelos desempregados que todos os dias aumentam, e por isso eu creio que o papel do Presidente da República é muito importante nesta matéria e eu exorto o senhor Presidente da República a comunicar com o país, nós precisamos de uma voz para além dos partidos”.

“É preciso ver que não estamos numa situação normal, estamos num país
ocupado do ponto de vista financeiro, estamos sujeitos a avaliações
constantes de entidades externas que apenas dão ordens abusivamente,
veja-se a reprimenda que o ministro da Educação levou”, acrescentou.

A
saída do ministro das Finanças foi duramente criticada por Bagão Félix:
“Não percebo como é que Vítor Gaspar abandona o Governo neste
momento, a 15 dias da oitava avaliação, na parte final da preparação do
Orçamento”.

O antigo ministro criticou a influência que a troika tinha sobre o
antigo ministro das Finanças e por consequência sobre Passos Coelho. “No
fundo tínhamos mais do que uma coligação entre dois partidos, tínhamos
uma coligação ministro das Finanças mais primeiro-ministro e troika.
Essa é que era a verdadeira coligação”.

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