Banca dispara em bolsa com interesse chinês e ajuda do Estado no reforço de capital

As acções da banca portuguesa dispararam hoje em bolsa, depois de o presidente da empresa China Three Gorges ter admitido que os bancos chineses poderão investir em Portugal. Além disso, a possibilidade do Estado ajudar o sector no reforço de capital, sem que fique accionista, tal como o Dinheiro Vivo tinha noticiado há três semanas, também ajudou a impulsionar os títulos.

As acções do BES lideraram os ganhos do sector e também do índice naciona. O BES disparou 14% para 1,34 euros, somando mais uma subida depois de na sessão de sexta-feira ter ganho 6,6%, dia em que a instituição financeira lidera por Ricardo Salgado aunciou que emitiu obrigações a três anos, no montante de 1.000 milhões de euros, com garantia do Estado, para servirem como colateral na obtenção de liquidez junto do Banco Central Europeu (BCE).

O BCP valorizou 7,7% para 0,13 euros, depois de na última sessão, várias notícias deram conta de um possível investimento chinês no BCP. Já o BPI subiu 7,9% para 0,48 euros e o Banif avançou 3,7% para 0,34 euros.

Contactados pelo Dinheiro Vivo um operador de mercado e um analista, que pediram para não ser identificados, consideram estes movimentos muito exagerados, sendo de esperar, nos próximos dias uma correcção.

“Houve hoje uma conjugação de dois factores: o possível interesse dos chineses nos bancos nacionais e também a possiblidade do Estado reforçar nos bancos através de instrumentos de ‘contingent capital’, o que significa que não ficaram accionistas”, adiantou um analista.

“O mercado parece estar apenas a reagir agora à notícia que, na realidade já tinha sido conhecida quando a Autoridade Bancária Europeia (EBA) revelou os critérios que contam para ‘core capital'”, esclareceu outro ananalista.

Tal como o Dinheiro Vivo noticiou há três semanas, os bancos vão poder recorrer ao fundo de recapitalização de 12 mil milhões de euros sem ter de ficar com o Estado como accionista. As novas regras divulgadas pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla inglesa), a 8 de Dezembro, introduziram uma alteração que pode reduzir a intervenção do Estado na banca.

A EBA autorizou os bancos a utilizarem títulos híbridos (‘contingent capital’, mais conhecidos nos mercados por “Cocos”) para suprirem as necessidades de capital dos bancos expostos às dívidas soberanas europeias. Significa que estes títulos híbridos passam a ser contabilizados para suprir essas insuficiências de capital resultante da exposição à dívida soberana – avaliada em 3,7 mil milhões de euros, segundo o exercício da EBA realizado a valores de 30 de Setembro deste ano -, com a vantagem de não diluir a posição dos accionistas.

Isto é possível porque os “Cocos” não são mais do que obrigações, que pagam juros, e apenas são convertíveis automaticamente em acções quando se verifique um cenário previamente definido.

O projecto-lei do fundo de racapitalização da banca – já aprovado na generalidade – adianta que a operação de capitalização pode ser efectuada através de “instrumentos ou meios financeiros elegíveis para fundos próprios core tier one”.

Tendo em consideração que os títulos híbridos passam a ser, segundo as novas regras, elegíveis para core tier one (mas apenas no caso das insuficiências resultantes da exposição à dívida pública), o fundo poderá ser utilizado para comprar títulos híbridos emitidos pelos bancos.

Na prática, os bancos recorrem na mesma ao fundo mas o Estado não entra como accionista (porque compra obrigações), evitando-se assim a nacionalização.

Além disso, o documento de revisão do memorando da troika adianta que “a legislação irá garantir que todos os instrumentos considerados aceitáveis ​​pelos reguladores, incluindo EBA, estarão disponíveis em Portugal”.

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