Empréstimos à habitação

Banca empresta 25 milhões por dia para comprar casa

Ritmo do novo crédito à habitação é o mais alto desde 2010.

A banca continua a abrir a torneira do crédito. Nos primeiros quatro meses do ano, os novos empréstimos à habitação totalizaram 2,97 mil milhões de euros, segundo dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal. É o valor mais elevado desde 2010. Em média, os bancos disponibilizam cerca de 25 milhões por dia para a compra de casa.

Apesar do ritmo mais elevado da concessão de crédito, o nível das amortizações continua a superar a dos novos empréstimos. Isso traduz-se numa descida de 409 milhões de euros no stock de crédito à habitação para 92,8 mil milhões. Mas mesmo com os bancos a reduzirem o total de crédito nos seus balanços, o Banco de Portugal anunciou em fevereiro que iria recomendar aos bancos que cumprissem, a partir de julho, limites na hora de conceder crédito dada a recuperação do novo crédito.

O objetivo, disse o supervisor liderado por Carlos Costa no último relatório de estabilidade financeira, é “prevenir que o setor financeiro assuma riscos excessivos nos novos créditos celebrados com as famílias, num contexto em que se começa a observar uma menor restritividade nos critérios de concessão de crédito e se antecipava que esta tendência se pudesse vir a acentuar”. Entre as indicações que os bancos terão de cumprir estão limites ao valor do empréstimo face à avaliação do imóvel e à taxa de esforço prevista para as famílias na duração de todo o crédito.

Além da maior disponibilidade para concederem crédito, os bancos também o estão a fazer com taxas mais baixas. Em média, o custo dos novos créditos à habitação em abril foi de 1,46%, abaixo dos 1,57% registados no final de 2017. O Banco de Portugal explicou que “a recuperação da economia e do mercado imobiliário, conjugada com taxas de juro de curto prazo ainda muito baixas, cria incentivos para uma maior concorrência entre os bancos e para uma menor restritividade dos critérios de concessão de crédito”.

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