Habitação

Banca financiou apenas um terço do valor total das compras de casas

Fotografia: Global Imagens
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Peso do crédito para compra de habitação caiu para metade em oito anos. Apetite de estrangeiros e de empresas é uma das explicações.

O valor das vendas de casas em Portugal tem disparado para recordes nos últimos meses. E a grande fatia das transações passou a ser feita sem recurso a crédito. Mais um sinal de que é o interesse de compradores estrangeiros e de empresas a dar impulso ao mercado imobiliário.

Apesar dos novos empréstimos à habitação recuperarem nos últimos meses, o valor das vendas de casas cresce a um ritmo bem mais elevado. Entre junho do ano passado e o mesmo mês deste ano, foram transacionados mais de 22 mil milhões de euros em imóveis de habitação, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. No mesmo período, os bancos concederam cerca de 7,4 mil milhões em novo crédito para a compra de casa, de acordo com números do Banco de Portugal.

Em cada 100 mil euros de compras, apenas 33 mil euros são financiados com crédito à habitação. É a proporção mais baixa desde 2010, data dos primeiros dados disponibilizados pelo Banco de Portugal. Há oito anos em cada 100 mil euros de transações de casas, quase 66 mil eram assegurados por empréstimos bancários. O peso do crédito no valor total das compras caiu para metade nesse período.

Apetite de estrangeiros e de empresas

As regiões onde se nota uma menor proporção entre o total de crédito e o valor transacionado em imobiliários são a Área Metropolitana de Lisboa e o Algarve. Na capital, em cada 100 mil euros de compras apenas 27 mil euros proveem de financiamento bancário. No Algarve essa proporção é ainda menor.

O Banco de Portugal nota, no Boletim Económico divulgado esta quinta-feira, que é nessas regiões que “o investimento estrangeiro ou a compra de imóveis por parte de empresas poderão estar a ter um maior peso nas transações”. O supervisor refere que “o dinamismo do mercado de habitação tem beneficiado, para além de uma melhoria das condições de financiamento e da situação económica geral, do forte aumento do turismo e da procura de imóveis por parte de não residentes”.

No último Relatório de Estabilidade Financeira, relativo a junho, o Banco de Portugal apontava que o “forte crescimento dos preços do imobiliário residencial tem sido impulsionado pelo turismo e pelo investimento direto por não residentes”, defendendo que os bancos portugueses, através da concessão de crédito, não estavam a ser os principais dinamizadores deste mercado.

Atualizada às 13:21 com mais informação

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