Banco de Inglaterra corta taxa de juro para mínimo histórico: 0,25%

É a primeira descida desde março de 2009, quando a instituição baixou a taxa de juro para o valor atual de 0,50%

O Banco de Inglaterra correspondeu às expectativas dos investidores e decidiu cortar as taxas de juro de 0,5% para 0,25%, um novo mínimo histórico, como resposta aos eventuais impactos que o Brexit poderá ter sobre a economia britânica. O governador do banco central já mostrou abertura a novo corte nas taxas.

A decisão de cortar as taxas de juro já era esperada pelo mercado, mas o banco central foi além disso e anunciou um pacote completo de medidas de estímulo à economia.

0,25% é um novo mínimo histórico. Fotografia: Banco de Inglaterra 0,25% é um novo mínimo histórico. Imagem: Banco de Inglaterra

Primeiro, vai disponibilizar mais 60 mil milhões de libras (mais de 71 mil milhões de euros) para o programa de compra de dívida, numa tentativa de estimular a economia. Este programa de quantitative easing passa, agora, a contar com 435 mil milhões de libras (perto de 518 mil milhões de euros).

Vai também lançar um novo programa de estímulos, um pacote de 100 mil milhões de libras (119 mil milhões de euros), para incentivar os bancos a concederem mais crédito às empresas e famílias.

Por último, vai colocar dinheiro novo a circular para comprar 10 mil milhões de libras em obrigações de empresas, de forma a "fazer uma contribuição material para a economia do Reino Unido". Uma medida, de resto, semelhante ao que já é praticado na zona euro, no âmbito do programa de quantitative easing do Banco Central Europeu (BCE).

O corte da taxa de juro foi aprovado unanimemente pelos nove membros do comité de política monetária do Banco de Inglaterra. As restantes medidas, contudo, não reuniram consenso. A disponibilização dos 60 mil milhões de libras para o programa de compra de dívida bancária só foi aprovado por seis dos membros, enquanto o programa de compra de obrigações de empresas teve a aprovação de oito membros.

Perspetivas de crescimento "mudaram drasticamente"

Após a reunião desta manhã, a instituição liderada pelo governador Mark Carney atualizou, ainda, as previsões para a economia britânica. O Banco de Inglaterra antecipa agora que a economia britânica vá crescer apenas 0,8% no próximo ano, quando, em maio, a estimativa apontava para um crescimento de 2,3%.

Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, salientou a resiliência da economia britânica. "O Reino Unido consegue lidar com a mudança. Tem uma das economias mais flexíveis do mundo. Tem uma grande reserva de capital humano e as suas pessoas são admiradas por todo o mundo pela sua força sob adversidade", começou por dizer.

Contudo, avisa, "as perspetivas de crescimento económico mudaram drasticamente", pelo que o banco central está a tentar "reduzir a incerteza e atenuar o impacto" causado pelo Brexit.

O governador alerta ainda para o facto de o banco central não poder fazer tudo, uma vez que a "política monetária tem os seus limites".

Seja como for, para já, ainda há abertura para alargar cada uma destas medidas, incluindo um novo corte nas taxas de juro e maior injeção de dinheiro através dos programas de quantitative easing, sinalizou Mark Carney. Segundo o governador, a maioria dos membros do comité de política monetária apoia novo corte se as atuais previsões para a inflação se revelarem acertadas.

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