Política Monetária

Banco de Portugal comprou 5,2 mil milhões de dívida nacional. Vai manter o ritmo

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

O banco central detém mais de 31 mil milhões de dívida pública nacional, que rendeu 687 milhões em juros.

O Banco de Portugal acelerou na compra de dívida pública portuguesa no ano passado ao abrigo do programa de compra de ativos. A instituição fez compras de 5,2 mil milhões de euros, mais 8% que em 2017, segundo dados divulgados esta segunda-feira. E deverá manter esse ritmo este ano, de forma a compensar as compras abaixo da meta implícita entre 2016 e o início de 2018.

Nesse período, a dívida pública portuguesa tinha sido prejudicada porque não existiam títulos suficientes para cumprir com a meta implícita, que é a chave de capital de Portugal no Banco Central Europeu, sem violar as regras do programa. O banco central não pode deter mais de 33% de uma linha de obrigações ou do total da dívida considerada para efeitos do programa.

Como uma grande parte da dívida portuguesa era detida pelo FMI e pelos parceiros europeus, não havia suficiente para comprar. Assim, apesar de a chave de capital de Portugal no BCE ser de 2,5%, as compras acumuladas do programa de compras do setor público equivale apenas a 1,9% do total das aquisições do Eurosistema.

Apesar de as compras líquidas terem terminado no final de 2018, os bancos centrais da zona euro comprometeram-se a reinvestir a totalidade do valor dos títulos “durante um período prolongado após a data em que comece a aumentar as taxas de juro diretoras do BCE até depois das taxas de referência da zona euro começarem a subir”. Frankfurt não espera que os juros subam este ano, o que indicia que as compras de ativos ainda irão durar anos.

O objetivo, na fase de reinvestimentos, é aproximar a proporção das compras da chave de capital, o que, segundo a maioria dos bancos de investimento, permitirá manter o ritmo das compras de dívida portuguesa numa fase de diminuição no resto da zona euro. Esse factor, a par das melhorias do rating nacional, tem ajudado os juros da dívida nacional a baixar e a atingir mínimos históricos.

Compras do Banco de Portugal aceleram

Nesta fase, a dívida portuguesa está a ser compensada após ter ficado aquém da meta. E isso permitiu ao Banco de Portugal aumentar o ritmo das compras numa fase em que o Eurosistema travou no programa. O banco central português foi 650 vezes ao mercado fazer compras, num total de 5,2 mil milhões de euros, mais 8% que em 2017, segundo o Relatório da Implementação da Política Monetária, divulgado esta segunda-feira.

Em 2017, o Banco de Portugal tinha comprado 4,8 mil milhões em dívida pública nacional e cerca de dez mil milhões em títulos de dívida supranacional, que foram adquiridos para compensar a escassez de obrigações portuguesas nessa altura. Apesar do reforço do Banco de Portugal, o valor comprado diretamente pelo BCE desceu 65% para 600 milhões de euros.

A carteira do Banco de Portugal para executar o programa de compras do BCE atingiu 50,3 mil milhões de euros no final de 2018. Mais de 90% do valor está alocado a títulos comprados ao abrigo do programa de compras do setor público. O montante acumulado em dívida portuguesa e de 31,6 mil milhões e em dívida supranacional o valor é de 15 mil milhões de euros. Ao longo do programa de reinvestimento, que ainda deverá durar mais alguns anos, é expectável que o peso da dívida nacional venha a aumentar.

Além dos títulos de títulos de entidades públicas, o Banco de Portugal detém ainda 3,7 mil milhões em obrigações hipotecárias de outras instituições nacionais.

Juros de 886 milhões

A carteira de títulos detidos para efeitos de política monetária rendeu, em 2018, 886 milhões de euros em juros ao Banco de Portugal, ajudando a instituição a apresentar lucros recorde e a distribuir o dividendo mais alto de sempre, mais 83 milhões que no ano anterior. Só das obrigações soberanas portuguesas, o banco central conseguiu um rendimento com juros de 687 milhões de euros.

A instituição liderada por Carlos Costa reportou, na passada sexta-feira, um lucro recorde de 806 milhões de euros no ano passado, mais 149 milhões que em 2017. E anunciou que pagou um dividendo de 645 milhões ao Estado, mais 120 milhões que no ano anterior.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Mário Centeno

Centeno volta a cativar mais dinheiro

Natalidade. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

Despesa com apoios à família é a quinta mais baixa da UE

Foto: D.R.

Easyjet. Ligações de Portugal com Itália não serão afetadas, por enquanto

Banco de Portugal comprou 5,2 mil milhões de dívida nacional. Vai manter o ritmo