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Banco de Portugal já indicia dificuldades no setor exportador

Fotografia: José Carmo/Global Imagens
Fotografia: José Carmo/Global Imagens

INE previa aceleração, mas banco central indica que ritmo das exportações pode ter caído para 1,6% no 3º trimestre, um quinto do valor de há um ano

A economia portuguesa deverá manter um ritmo de crescimento na ordem dos 1,9% no terceiro trimestre, mas começam a surgir sinais de fadiga nas exportações na sequência do arrefecimento da economia internacional e, em particular, da Europa.

Por exemplo, com base em dados do Banco de Portugal corrigidos da sazonalidade relativos às exportações de bens e serviços, é possível ver já um forte abrandamento nas vendas totais ao estrangeiro no decorrer do terceiro trimestre.

Cálculos do Dinheiro Vivo mostram que as exportações totais nos três meses de julho a setembro travaram para 1,6% face a igual período de 2018, o que se traduz num dos registos mais fracos desde a última crise.

Isto significa também que as exportações portuguesas estão a perder gás desde o início do ano. Nesta série do Banco de Portugal, as vendas do país ao exterior estavam a crescer mais de 4% no primeiro trimestre, depois baixaram para 2,7% no trimestre seguinte. Agora, o ritmo fica-se pelos 1,6%.

Há duas semanas, o Instituto Nacional de Estatística (INE), na sua estimativa preliminar, na qual ainda não tinha incorporada toda a informação, estimou que o produto interno bruto (PIB) “aumentou 1,9% em volume no terceiro trimestre de 2019” face ao mesmo período do ano passado. Este ritmo é assim idêntico ao do trimestre anterior, observou o INE.

Hoje, o instituto publica os dados definitivos relativos ao terceiro trimestre.

No entanto, nessa altura, o INE disse que “o contributo da procura externa líquida [exportações menos importações] manteve-se negativo no terceiro trimestre”. As importações estão a crescer mais rápido do que as exportações, daí o contributo negativo da procura externo. Em todo o caso, o INE referiu que ambas — as vendas e as compras ao exterior da economia nacional — estavam a acelerar. Segundo o banco central, pode não ser bem assim.

O INE sublinhou ainda que este terceiro trimestre foi marcado por uma “aceleração do consumo privado”, contrastando com um “crescimento menos intenso” do investimento.

Os economistas do ISEG que seguem a conjuntura portuguesa, observam que o seu “o indicador de tendência da atividade”, que é uma média ponderada dos vários indicadores, “apresentou, nos últimos três trimestres uma certa estabilidade, apesar de evidenciar decréscimo nos últimos três meses”.

Isto é: o ritmo da economia aguenta-se perto dos 1,9%, mas há coisas que estão a correr pior, outras melhor, e compensam-se mutuamente.

“Podemos dizer que a produção industrial decresceu de forma substancial (com forte peso negativo do agrupamento energia), enquanto a construção se expandiu bastante”, diz o estudo do ISEG, publicado esta semana.

“Os indicadores do consumo privado tiveram um crescimento relativamente estável e a produção nos serviços tem vindo a desacelerar lentamente”.

Exportações de combustíveis fraquejam, turismo aguenta-se

Nas exportações, o ISEG destaca “a queda nas exportações de combustíveis e de outros serviços fornecidos por empresas e no aumento das importações de bens de equipamento e de “outros serviços fornecidos por empresas”, que refletem “o arrefecimento do crescimento europeu e mundial”.

O turismo, o setor mais importante nas vendas de serviços para fora, parece que ainda se aguenta, pelo menos na parte da hotelaria.

“Os proveitos totais da hotelaria (série nominal, INE) registaram uma variação homóloga de 6,7% em setembro (6,6% no terceiro trimestre, 7,1% desde o início do ano), evidenciando um crescimento algo estável depois da desaceleração do ano anterior. O crescimento das exportações (nominais) de viagens e turismo de janeiro a setembro foi 7,8% (Banco de Portugal)”, observam os especialistas do ISEG.

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