Banco de Portugal prevê a mesma retoma mas com mais emprego

Banco central mantém previsão de junho (2,5%) para o crescimento económico de 2017, mas diz estar mais otimista com criação de emprego e desemprego.

O banco central governado por Carlos Costa anunciou esta quarta-feira que mantém a projeção de crescimento real deste ano nos 2,5% (igual há três meses) porque a economia portuguesa vai desacelerar no segundo semestre, mas está mais otimista quanto ao emprego e ao desemprego.

De acordo com o boletim económico de outubro do Banco de Portugal (BdP), o ritmo da retoma económica no primeiro semestre (crescimento de 2,9%) estava a assumir contornos algo insustentáveis, mas este deve baixar para um padrão mais aceitável e consentâneo com a capacidade produtiva e competitiva do país, devendo rondar os 2% no segundo semestre, estima o BdP.

Assim, em 2017 como um todo, a retoma deve chegar aos tais 2,5%, marca que iguala a de 2007 e é assim a melhor dos últimos 17 anos. Há três meses, no boletim de junho, o banco central projetava igualmente 2,5%, mas considerava que todas as componentes da procura estavam mais fortes.

Ou seja, reviu em baixa os principais agregados do PIB: o consumo privado vai expandir-se 1,9% (era 2,3%), o consumo público deve subir 0,3% (antes era 0,4%), o investimento continua forte, mas deve disparar 8% em vez de 8,8%, as exportações aumentam 7,1% em vez de 9,6%.

A menor força das importações (estas comem valor ao PIB) acaba por ser o fator que permite manter a previsão nos tais 2,5%, mesmo com todas aquelas revisões em baixa.

O BdP observa que "o elevado crescimento observado no primeiro semestre não corresponde ao crescimento tendencial sustentável da economia portuguesa", que "não obstante o assinalável processo de desalavancagem do setor privado e a melhoria progressiva na afetação dos recursos empregues na economia portuguesa ao longo dos últimos anos, persistem vários fatores estruturais que condicionam o nível e o crescimento potencial da economia portuguesa, de natureza interna e externa".

Um dos maiores pesos que podem estar a impedir uma retoma mais musculada é talvez a fraca produtividade, algo que tem a ver com a falta de novas medidas que a reforcem mas, sobretudo, com a pobreza em investimento físico dos últimos anos. O problema subsiste, com muitas empresas descapitalizadas.

A moderação da retoma também tem a ver com a normalização da despesa dirigida à compra de automóveis e às compras de cimento, que subiram muito na primeira metade de 2017 à boleia de "um enquadramento internacional particularmente favorável". Isto contribuiu na altura para a forte expansão do investimento mas agora, no segundo semestre, o efeito dissipa-se um pouco.

Mercado laboral melhora mais rápido

Já o mercado de trabalho está a melhorar mais rapidamente do que se esperava em junho. O BdP estima agora uma criação de emprego de 3,1% em 2017 (contra 2,4% no boletim de há três meses) e que a taxa de desemprego alivie para 9% da população ativa, o melhor registo desde 2008. Em junho, o BdP apontava para 9,4%.

No novo estudo, o banco central considera que o que mudou significativamente para melhor foi a destruição bruta de empregos, já que que a criação bruto até estabilizou.

“No que se refere à evolução do emprego, registou-se um forte crescimento no sector privado, acompanhado de um aumento no sector público” e “a evidência disponível sugere que o crescimento líquido do emprego no primeiro semestre de 2017 resultou da conjugação de uma menor destruição de emprego (ou seja, de menores fluxos do emprego para o desemprego e para a inatividade) com uma estabilização da criação de emprego (ou seja, dos fluxos do desemprego e da inatividade para o emprego)”, diz o banco central.

Além disso, o BdP destaca outro aspeto positivo. “Os fluxos líquidos de criação de emprego continuaram a orientar-se para os setores da economia com maior produtividade, nomeadamente os mais expostos à concorrência internacional.”

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