Banco de Portugal sobe crescimento de 2017 de 1,4% para 1,8%

Visita do Papa, novo carro da Autoeuropa e eventos como o Web Summit vão dar gás à economia. Investimento privado dispara com fundos europeus.

O crescimento da economia portuguesa foi revisto em alta de forma significativa face há três meses pelo Banco de Portugal (BdP). As novas projeções do banco central até 2019, apresentadas nesta quarta-feira, apontam para um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2017, mais quatro décimas do que se esperava em dezembro.

A "forte" recuperação" do investimento privado e o dinamismo das exportações, designadamente do turismo, ajudam a explicar a recuperação até 2019. O novo modelo de automóvel a produzir a partir deste ano na Autoeuropa, a visita do Papa a Portugal em maio e os inúmeros eventos internacionais previsto (Web Summit e outros) foram incorporados nestas melhores expectativas do Banco de Portugal.

A expansão do emprego ganha alguma força (previsão era 1% e agora é 1,6% este ano). O desemprego entretanto deve baixar mais, para 9,9% da população ativa em 2017.

Com esta revisão do crescimento, o BdP fica a ser a instituição de referência mais otimista quanto à retoma do corrente ano. Em setembro passado, o Conselho das Finanças Públicas projetou 1,3%; em outubro, no Orçamento do Estado (outubro), o governo estimou 1,5%, mas em abril vai atualizar estas contas no Programa de Estabilidade. Em novembro, a OCDE disse 1,2%. E em fevereiro, a Comissão Europeia previu 1,6% e o Fundo Monetário Internacional disse 1,3%.

O banco governado por Carlos Costa está pois mais otimista. Acredita que a retoma vai manter-se, embora a economia perca algum gás (crescimento de 1,7% em 2018 e 1,6% em 2019), mas sempre marcada por "um crescimento forte do investimento empresarial", ajudado pelo ambiente benigno das taxas de juro na zona euro e a acreditar que a procura global continua a ser favorável ao país.

Exportações

Assim é, e as exportações acabam por subir uns expressivos 6% em termos reais este ano. "A evolução da atividade ao longo do horizonte de projeção está sustentada num crescimento forte das exportações – refletindo um enquadramento económico e financeiro externo favorável e a manutenção de ganhos de quota de mercado", diz o novo estudo.

"As exportações de bens e serviços deverão situar-se em 2019 cerca de 60% acima do nível registado em 2008" e "o contributo das exportações para o crescimento do PIB manter-se-á superior ao contributo

da procura interna", o que para o BdP é um bom perfil, pois pode ajudar a diminuir a dependência externa da economia.

Depois de crescerem 6% este ano, as exportações perdem um pouco de gás, chegando a 4,5% em 2019.

Investimento

O investimento também recupera e muito, apoiado mais na dinâmica empresarial (sector privado) do que no público, aproveitando a boleia dos fundos europeus. "As atuais projeções incorporam também informação relativa a investimentos em grandes infraestruturas que ocorrerão no período 2017-19", mas em 2018 e 2019, o investimento embora cresça, deve abrandar até 4,8% em 2019.

Há, segundo o banco central, dois sectores que se destacam. O turismo e o automóvel.

O BdP reconhece o maior dinamismo da formação bruta de capital fixo (FBCF), mas avisa que "este ritmo de recuperação permanece condicionado pela necessidade de ajustamento dos balanços setoriais da economia portuguesa e por constrangimentos estruturais a um maior crescimento potencial". Mais reformas são necessárias, basicamente. O banco central mostra que, mesmo com esta retoma do investimento, ele não consegue atingir os níveis em que estava em 2008.

Consumo privado

O crescimento do consumo privado, que sempre foi apontado como a causa dos grandes males da economia no passado, abranda para 2,1% este ano, ficando-se pelos 1,4% nos próximos dois anos. "O consumo privado – apesar de uma melhoria no mercado de trabalho e de níveis de confiança elevados – manter-se-á condicionado pelo baixo crescimento dos salários reais e pela necessidade de continuação do processo de redução do nível de endividamento das famílias", observa o Banco de Portugal.

Retoma boa mas insuficiente face ao passado

E, no fundo, a retoma também não chega para repor o que foi destruído na economia como um todo nos últimos dez anos. "Em 2019, o produto real deverá situar-se num nível próximo do registado em 2008, o que ilustra bem a natureza sem precedentes deste último ciclo económico", a destruição provocada pela crise financeira e económica, que depois alastrou às contas públicas.

Assim, "o ritmo de crescimento económico projetado é inferior ao necessário para o reinício do processo de convergência real face à área do euro, o que decorre da persistência de importantes constrangimentos estruturais ao crescimento", lamenta o BdP.

Desemprego abaixo de 8% daqui a dois anos

O desemprego deve descer para 9,9% este ano (governo diz 10,3%, Bruxelas 10,1%), acompanhado pelo aumento do emprego no setor privado, que pode chegar a 1,6%, que está muito ligado ao salto no investimento empresarial.

No entanto, "no final do horizonte de projeção, o nível médio anual do emprego situar-se-á 8,5% acima do mínimo registado em 2013, embora permaneça 5% abaixo do nível observado em 2008".

O Banco diz ainda que o desemprego alivia porque tenderá a haver menos emigração/mais imigração, bem como haverá mais gente a trabalhar até mais tarde.

"Ao longo do horizonte de projeção assume-se a hipótese de uma relativa estabilização da população ativa, após um período de redução continuada. Esta hipótese traduz as atuais tendências demográficas e migratórias, assim como o aumento gradual da idade da reforma."

Portanto, "este cenário implica a manutenção de um perfil descendente para a taxa de desemprego, passando de cerca de 11% em 2016 para aproximadamente 8% em 2019. Estes níveis comparam com um máximo de cerca de 16 por cento em 2013", diz o novo estudo.

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