Banco de Portugal vê retoma mais forte neste ano e no próximo

A economia portuguesa deve crescer mais do que o esperado há três meses, diz o Banco de Portugal. Em vez dos 1,5% em 2015 projetados em dezembro, o banco central espera agora uma expansão de 1,7%. Em 2016, a economia pode crescer 1,9% em vez de 1,6%.

De acordo com a atualização das projeções económicas, que incorporam já os cálculos do Banco Central Europeu para a zona euro, tudo aponta para “uma recuperação gradual da atividade ao longo do horizonte de projeção”.

“Após um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 0,9% em 2014, projetam-se crescimentos de 1,7% em 2015, 1,9% em 2016 e 2% em 2017. Ao longo do horizonte de projeção, a economia portuguesa apresenta um ritmo de crescimento próximo do projetado para a área do euro“, refere o Banco em comunicado.

O BdP explica ainda que “a evolução do PIB continua a ter implícita uma transferência de recursos produtivos dos setores não transacionáveis para os setores transacionáveis, uma das características mais salientes do processo de recuperação recente da economia portuguesa”.

E que “a aceleração da atividade económica ao longo do horizonte de projeção reflete, em larga medida, o crescimento projetado para as exportações, em linha com as hipóteses para a procura externa dirigida à economia portuguesa. Esta evolução contribui para a manutenção de um excedente da balança corrente e de capital”.

Comércio externo volta a ser o motor da economia

Como referido, o BdP conta com “a transferência de recursos produtivos dos setores não transacionáveis para os setores transacionáveis”. Isto materializa-se num cenário em que o comércio externo (exportações líquidas, isto é, exportações menos importações) torna a ser o motor do crescimento.

Se este ano, a expansão de 1,7% vem mais da procura interna (contributo de um ponto percentual ou p.p.. para a taxa de crescimento final) do que das exportações (0,8 p.p.), no ano que vem a situação inverte-se: as exportações comandam com um contributo de 1,1 p.p. contra 0,8 pontos do lado da procura interna (onde estão o consumo e o investimento).

País condicionado pelas contas públicas

“A procura interna apresenta um crescimento moderado ao longo do horizonte de projeção, refletindo um crescimento sustentado do consumo privado, consistente com a evolução do rendimento disponível real, e uma aceleração da formação bruta de capital fixo, nomeadamente da componente empresarial”, diz o estudo.

No entanto, “a evolução da procura interna mantém-se condicionada pela necessidade de continuar o processo de consolidação orçamental e pelos elevados níveis de endividamento do setor privado”.

“Ao longo do período 2015-2017, projeta-se uma aceleração moderada do emprego e uma diminuição progressiva da taxa de desemprego”, remata o Banco.

A inflação (variação do índice harmonizado de preços no consumidor) deste ano deve ficar “estabilizada” à volta de 0,2%, “seguindo-se um aumento de cerca de 1% nos dois anos seguintes, em linha com a recuperação moderada da economia internacional e da economia portuguesa”.

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