Coronavírus

Bankinter. Economia entra em recessão e PIB cai 2,7% em 2020

Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

A taxa de desemprego deverá aumentar para 9,5%, impulsionada pelo contributo do setor do turismo.

O Produto Interno Bruto (PIB) português deverá cair este ano 2,7%, num cenário estimado de “contração bastante severa” no segundo trimestre, seguida de uma “recuperação relativamente célere” a partir de meados do terceiro trimestre. Estas são as projeções do outlook económico de João Pisco, analista financeiro e de mercados do Bankinter Portugal, relativo ao terceiro trimestre, que prevê que 2020 seja um ano de recessão.

“Embora nesta fase ainda exista um elevado nível de incerteza, é altamente provável que a economia portuguesa entre em recessão em 2020″, adianta no documento. As estimativas de João Pisco apontam “para uma queda de -2,7% do PIB em 2020” e “uma contração bastante severa no segundo trimestre, seguida de uma recuperação relativamente célere, que terá início em meados do terceiro trimestre e se irá acentuando ao longo do quarto trimestre”. Para o próximo ano, o analista prevê “uma recuperação do crescimento do PIB de +3,0%”.

João Pisco realça na análise que o país deverá registar “uma queda histórica do PIB no segundo trimestre (-10,6%), fruto das fortes medidas de contenção adotadas”, mas que a recuperação deverá ser bastante mais célere do que em crises passadas. As suas previsões têm em conta que a pandemia é controlada ainda no decorrer do segundo trimestre, ou seja, que “o choque económico não causará danos estruturais, nomeadamente ao nível do emprego”.

As exportações nacionais serão das atividades mais afetadas, prevendo que irão contrair 7,7% e recuperar de forma mais lenta em 2021. Segundo João Pisco, estas estimativas refletem “o impacto profundo que deverá ser sentido ao nível do turismo, mas também a menor procura por bens, fruto da desaceleração económica global”.

Para reduzir estes embates há que contar com a forte queda dos preços do petróleo, que poderão compensar parte desse efeito e mitigar o impacto ao nível da balança comercial.

A taxa de desemprego deverá aumentar para 9,5%, que compara com 6,7% em dezembro de 2019, reduzindo posteriormente para 8,2% ao longo de 2021, refere. Para este crescimento do desemprego irá contribuir fortemente o setor do turismo, que agrega, direta e indiretamente, cerca de 20% do total de emprego em Portugal.

João Pisco lembra “a elevada imprevisibilidade de uma situação como esta” e, por isso, traça cenários alternativos para a evolução do PIB, consoante a duração da pandemia do novo coronavírus: “no cenário mais pessimista, no qual assumimos que o shutdown da economia se estende por mais do que dois meses, o PIB poderia retroceder 4,0% e a taxa de desemprego superar os 10%; no cenário otimista, no qual a pandemia é controlada rapidamente e de forma eficaz, o PIB poderia contrair “apenas” 0,8% e a taxa de desemprego não ir além dos 7,8%”.

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