Espanha

Barcelona altera lei do alojamento para travar turismo

parc guell barcelona
Fotografia: direitos reservados

Em 2016, os 1,6 milhões de habitantes de Barcelona foram ultrapassados pelos 32 milhões de turistas que começam a "sobrecarregar a cidade".

A cidade de Barcelona deve aprovar esta sexta-feira uma lei para reduzir a afluência de turistas, noticia o The Guardian. A nova lei, conhecida como “plano urbano especial para a acomodação turística”, pretende limitar o número de camas disponíveis nos hotéis e no alojamento local e impõe uma moratória sobre a construção de novas unidades hoteleiras e uma suspensão da emissão de licenças para apartamentos turísticos.

Em 2016, Barcelona recebeu 32 milhões de visitantes. Os 1,6 milhões de habitantes foram “largamente ultrapassados” pelos turistas, que, de acordo com o jornal britânico, começam a “sobrecarregar a cidade”. É este o resultado de mais de 25 anos de grande promoção da cidade como destino turístico.

À aprovação da lei segue-se um protesto na La Rambla, no sábado. A célebre rua, que para muitos simboliza o número excessivo e insustentável de turistas, vai ser ocupada por mais de 40 associações de comunitárias e de moradores, sob as palavras de ordem “Barcelona não está à venda”. Em causa estão a especulação imobiliária e o consequente aumento de preços que está a obrigar os residentes a deixar a cidade. Os protestantes contestam ainda os baixos salários pagos no setor dos serviços turísticos, que correspondem a metade do salário médio. “O setor turístico e da restauração é o mais mal pago em Barcelona”, explicou ao The Guardian Martí Cusó, membro da Assembleia de Moradores para o Turismo Sustentável.

Atualmente, há 75 mil camas de hotel e 50 mil em apartamentos turísticos, mas estima-se que a estas se somem mais 50 mil ilegais. As associações de moradores de Barcelona estimam que perto de 17 mil apartamentos tenham sido convertidos em alojamento turístico. A redução da oferta para os residentes levou a que as rendas sejam agora as mais elevadas em todo o país. Contudo, porque já há projetos em curso, o plano contemplado pela nova lei só terá impacto depois de 2019.

A indústria turística opõe-se à nova lei, que diz “demonizar os turistas”. Além disso, as entidades acreditam que limitar o crescimento do turismo só pode ser prejudicial para a economia já enfraquecida. Manel Casals, diretor-geral da Associação de Hotelerios de Barcelona diz que o enfoque do plano está mal direcionado: “Dos 32 milhões de pessoas que visitaram Barcelona no último ano, apenas oito milhões ficaram hospedados em hotéis. 23 milhões são excursionistas que gastam muito pouco dinheiro na cidade. Não vamos regular a afluência de turistas ao limitar o número de camas. Vamos regular apenas o local onde dormem.”

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