Energia

Barragens e eólicas não param. Abasteceram 95% do consumo

Foto: Orlando Almeida/Global Imagens
Foto: Orlando Almeida/Global Imagens

O aumento da produção através das renováveis fez com que Portugal atingisse também um novo recorde na exportação de eletricidade para Espanha.

Depois de um 2015 seco, com as barragens e eólicas a funcionar muito pouco e as centrais a carvão a trabalhar mais, o (mau) tempo sentido no início deste ano começou a ajudar e, em fevereiro deste ano, a produção de eletricidade através de energias renováveis voltou a atingir um máximo histórico, abastecendo 95% do consumo nacional.

De acordo com o relatório mensal da Associação Portuguesa das Energias Renováveis (APREN), as fontes de energia renovável, que incluem as barragens, eólicas, centrais solares e biomassa, produziram em fevereiro um total de 4.139 GWh, ou seja, 95% da eletricidade consumida em Portugal nesse mês e que foi de 4.350 GWh.

“Este valor mensal é o segundo maior do século, tendo só sido ultrapassado no período homólogo de 2014, onde a produção através de fontes de energia renovável representou 97% do consumo de eletricidade do Continente”, pode ler-se no relatório.

Este valor foi ainda superior ao de janeiro deste ano em que a produção representou 84% do consumo que foi 4571 GWh, ou seja, representou menos num consumo superior.

“As principais razões deste desfecho devem-se principalmente às condições atmosféricas favoráveis à produção de eletricidade de origem hídrica e eólica”, explica a APREN. Ou seja, ao facto de ter chovido mais que em 2015, que foi um ano seco, e também de ter estado mais vento.

Novo recorde na exportação de energia

O aumento da produção através das renováveis fez com que Portugal atingisse também um novo recorde na exportação de eletricidade para Espanha. Não só mensal como dos últimos três anos, período em que o número de barragens e centrais eólicas pouco aumentaram.

De acordo com mesmo relatório da APREN, as centrais elétricas portuguesas exportaram 1.081 GWh de eletricidade em fevereiro, mais que os 1.006 GWh exportados em janeiro, que já era também um recorde. Ou seja, muito mais que o registado em fevereiro de 2014, quando as exportações estiveram muito perto dos 550 GWh e que no mesmo mês de 2015, em que foi de cerca de 400 GWh.

“Este desempenho assinalável só foi possível graças à existência de uma rede de interligações bem planeada e estruturada, que se mostra essencial para a gestão eficaz do sistema eletroprodutor, tanto em situações de importação quando é necessário para garantir a adequação e segurança do Sistema Energético Nacional (SEN), como para facilitar o funcionamento do mercado em que é preciso realizar trocas significativas de energia que reduzem os custos de funcionamento”, pode ler-se no documento.

Produção nas centrais a carvão a descer

O ano passado, o peso das renováveis no mix energético desceu para menos de 50% e as barragens eram as que menos contribuíam. Mas com o aumento da pluviosidade sentida este ano, o cenário inverteu-se por completo e são agora as renováveis – e as barragens – a liderar o mix energético, representando 42% da produção de eletricidade em Portugal em janeiro e fevereiro.

Seguiu-se a energia eólica, com um peso de 27% no mix energético, a biomassa com 3% e o solar com 1%. E isto nas renováveis que somaram um peso total no mix de 73,6%, ou seja, de toda a produção elétrica de janeiro e fevereiro, mais de 70% foi da responsabilidade das renováveis.

As centrais a carvão e a gás natural perderam terreno e representaram apenas 19%, a que se junta a cogeração fóssil com 7%, perfazendo assim 26,4% de geração fóssil neste período.

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