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BCE alerta para solvência das seguradoras e relação com a dívida pública

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu. (FREDERICK FLORIN / AFP)
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu. (FREDERICK FLORIN / AFP)

O BCE assinala até que "o alto nível de exposição a dívida soberana doméstica também indica uma presença atual de um 'nexo seguradores-soberanos'".

O Banco Central Europeu (BCE) considera que a solvência do setor segurador da zona euro poderá enfraquecer-se devido à baixa de preço dos ativos e à continuação do ambiente de baixas taxas de juro, segundo um relatório hoje divulgado.

De acordo com o relatório de Estabilidade Financeira do BCE, “a solvência das seguradoras poderia ser significativamente enfraquecida por um duplo golpe proveniente do declínio do preço dos ativos e de taxas de juro baixas por mais tempo”.

Lembrando que “em geral, as seguradoras estavam bem capitalizadas no início da pandemia”, mas que “a tomada de maior risco por algumas seguradoras nos últimos anos tornou o setor mais vulnerável à reavaliação dos ativos financeiros”, o BCE considera que a desvalorização de ações registada em fevereiro e março “deverá causar um impacto adverso significativo nos rácios de solvência”.

“Se as preocupações acerca da sustentabilidade da dívida pública subirem novamente, os rácios de solvência poderiam também ser afetados de forma adversa pela alta concentração de dívida soberana nas carteiras das seguradoras”, adverte a instituição presidida por Christine Lagarde.

O BCE lembrou que antes do anúncio do programa de compra de dívida no contexto da pandemia de covid-19, “os ‘spreads’ da dívida soberana e de alguns países da zona euro [entre os quais Portugal] experienciaram alta volatilidade”.

“As seguradoras tradicionalmente têm percentagens significativas das suas carteiras em dívida pública, contabilizando até 70% dos seus títulos de dívida totais em alguns países”, de acordo com o BCE, que adverte que o balanço das companhias “poderia ser enfraquecido no caso de novo ‘stress’ nos mercados de dívida soberana”.

O BCE assinala até que “o alto nível de exposição a dívida soberana doméstica também indica uma presença atual de um ‘nexo seguradores-soberanos'”.

“Os declínios nas receitas esperadas de investimentos e prémios também deverão pesar nos lucros e na solvência” das seguradoras, segundo o BCE, que “como consequência da pandemia, algumas seguradoras poderão sofrer de pressões de liquidez”, bem como um aumento de pedidos de seguros.

Também no setor ressegurador, são esperados mais pedidos decorrentes da pandemia de covid-19, associados a cancelamentos de eventos como os Jogos Olímpicos Tóquio2020, mas que serão “parcialmente contrabalançados por perdas abaixo da média nas linhas de negócio associadas a catástrofes naturais”.

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