BCE aumenta "significativamente" o ritmo de compras de dívida até setembro

Corrida contra uma retoma aos soluços. BCE injeta mais dinheiro barato nos bancos da zona euro, comprando-lhes ainda mais dívida pública. Juros colados a mínimos.

O ritmo de compras de dívida pública (e outros ativos, mas em menor escala) aos bancos comerciais da zona euro vai subir "de forma significativa ao longo deste terceiro trimestre" ao abrigo do programa de emergência de resposta à pandemia (PEPP), revelou o Banco Central Europeu (BCE), numa nota sobre a reunião de política monetária que aconteceu esta quinta-feira.

No início deste ano, as compras mensais de dívida pública e outros ativos ao abrigo do chamado PEPP andavam a um ritmo de 56 mil milhões de euros por mês. Mas desde abril que a fasquia subiu para os 80 mil milhões de euros, um reforço superior a 40%.

A crise pandémica (sanitária) melhorou um pouco em alguns aspetos, mas "o período de crise pandémica ainda não terminou", declarou a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Assim, o PEPP pode ser mais reforçado durante este trimestre.

Há variantes do vírus mais agressivas que preocupam e muitas vacinas por tomar. A retoma está a andar, mas há nuvens no horizonte e muitas incertezas por causa do vírus, que não desapareceu, continua a matar, a enviar doentes para os hospitais e a provocar um número crescente de novos casos em muitos países. Veja-se o caso de Portugal.

Mas não é só Portugal. Alemanha, França e outros também estão a braços com situações sanitárias incertas, que têm merecido cuidados por parte das autoridades.

Assim, o BCE decidiu hoje dar mais gás, acelerando o seu enorme programa de compra de ativos entre julho e setembro. É a forma "não convencional" de continuar a manter taxas de juro mínimas, quase próximas de zero, na zona euro, uma vez que já não há grande margem para baixar taxas de juro.

Trata-se de o primeiro encontro dos banqueiros centrais da zona euro sob o chapéu da nova estratégia de política monetária, que é ligeiramente mais tolerante em relação a subidas da inflação e a desvios acima de 2%, por exemplo.

A entidade presidida por Christine Lagarde diz "esperar que as compras [de títulos] no âmbito do programa de compras de emergência pandémicas (PEPP - pandemic emergency purchase programme) sejam conduzidas a um ritmo significativamente mais elevado durante o trimestre atual quando comparado com os primeiros meses deste ano".

Em junho, o BCE comprou cerca de 80,2 mil milhões de euros em dívida e outros ativos aos bancos comerciais da zona euro e outras entidades como grandes empresas ao abrigo do tal PEPP.

Desde que lançou este programa, em março do ano passado (para responder ao choque viral na economia e nos preços), o BCE já absorveu no seu balanço mais de 1,2 biliões de euros em ativos, que transformou em dinheiro ultrabarato, a preço quase zero.

O envelope PEPP não tem um limite temporal rígido. A ideia é que esteja ativo até março de 2022, pelo menos, ou seja, até aí há PEPP ou então pode ser estendido se a situação pandémica o justificar.

O BCE definiu um teto de 1,85 biliões de euros para esta bazuca. Resta saber se fica por aqui.

Atualmente, percebe-se que já não falta assim tanto para esgotar o envelope do programa. Faltam comprar cerca de 600 mil milhões de euros em ativos, basicamente. Se este trimestre vai acelerar contas, o limite em valor também será alcançado mais depressa.

"O Conselho do BCE confirmou também as suas outras medidas de apoio, nomeadamente o nível das taxas de juro diretoras, as suas compras ao abrigo do programa de compra de ativos (APP), as suas políticas de reinvestimento e as operações de refinanciamento de prazo alargado".

"As compras ao abrigo do APP prosseguirão a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros. O conselho do BCE continua a esperar que estas aquisições mensais líquidas de ativos no contexto do APP decorram enquanto for necessário para reforçar o impacto acomodatício das suas taxas diretoras e que cessem pouco antes de começar a aumentar as taxas de juro diretoras do BCE."

Quanto a taxas de juro, também fica tudo na mesma, em mínimos de sempre. "A taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósitos permanecerão inalteradas em 0%, 0,25% e −0,5%, respetivamente", diz o BCE.

(atualizado 14h30)

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