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BCE. Compra de dívida portuguesa nos valores mais baixos de sempre

Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

Mario Draghi admite que o BCE está preparado para aumentar o programa de compra de ativos e alertou para os riscos das políticas de Trump

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a reduzir o montante de dívida portuguesa que comprou no âmbito do programa de aquisição de ativos da zona euro. Em janeiro, o BCE comprou apenas 688 milhões de euros de dívida, o valor mais baixo desde o início do programa.

O banco central tem um limite de 1,4 mil milhões de euros mensais para a compra de dívida nacional e nos últimos meses tem ficado abaixo da meta, fruto também do próprio abrandamento do programa. O BCE tem cada vez menos ativos disponíveis para compra, considerando as regras definidas pelo programa, que impõe um limite de 33% aos ativos de cada país tendo em conta o seu peso no capital do banco.

O BCE começou a comprar ativos portugueses em março de 2015 e, ao longo de 2015 e até junho de 2016, o montante ultrapassou os mil milhões de euros mensais. A partir de julho os valores começaram progressivamente a reduzir-se – embora tenham ultrapassado os mil milhões em setembro, outubro e novembro -, para cerca de 725 milhões em dezembro e os atuais 688 milhões registados em janeiro. O BCE tem atualmente 25,2 mil milhões de euros de ativos portugueses no âmbito do seu programa de compras, segundo o balanço divulgado esta segunda-feira, podendo também comprar dívida de empresas portuguesas.

Desde que foi implementado, que o programa de compra de ativos já foi alargado várias vezes, em prazo, mas também em montante. O último alargamento, em dezembro, prolongou o programa até ao final deste ano, mas reduziu o montante mensal de compra de 80 mil milhões de euros para 60 mil milhões de euros.

Mario Draghi, na intervenção de ontem no Parlamento Europeu, voltou a reafirmar que está preparado para aumentar o programa e defendeu que a decisão de dezembro “teve como objetivo encontrar o equilíbrio” das perspetivas de crescimento económico e da falta de convergência nas taxas de inflação para os níveis pretendidos.

“O conselho do BCE viu a necessidade de fortalecer a recuperação para assegurar uma convergência sustentável das taxas de inflação perto de 2%”, afirmou na sua intervenção inicial.

Assim, as condições financeiras têm de continuar a apoiar” a recuperação, tendo em consideração as “incertezas dentro e fora da zona euro”. Sem se referir ao presidente norte-americano, Draghi mostrou-se preocupado com “anúncios de potenciais políticas protecionistas”.

A eminente escassez de ativos elegíveis para o programa de compra do BCE já foi admitido por Draghi, que anunciou em setembro que os comités do banco central estavam a estudar outras opções de ativos que o BCE poderá comprar caso se alargasse o quantitative easing. Alguns analistas esperavam que o BCE ficasse sem obrigações portuguesas elegíveis para o programa já no final do ano passado e esperavam uma mudança nas regras dos ativos que o BCE podia comprar.

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