Coronavírus

BCE corta a fundo previsões. Recessão pode chegar a 12% este ano

Christine Lagarde, presidente do BCE.  EPA/ARMANDO BABANI
Christine Lagarde, presidente do BCE. EPA/ARMANDO BABANI

Em março, o BCE ainda aceitava que a economia da zona euro pudesse crescer 0,8%. Mas agora já fala numa recessão que pode ir dos 5% aos 12% em 2020

Em março, já com a pandemia a pairar sobre as previsões económicas, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu ligeiramente a projeção de 2020, para 0,8%. Agora, Christine Lagarde, a presidente da instituição, vai muito mais abaixo.

Na teleconferência de imprensa que decorreu esta quinta-feira depois da reunião de política monetária, a chefe do BCE disse que a sua equipa de economistas “está a projetar uma contração do produto interno bruto (PIB) da zona euro entre 5% e 12% em 2020”.

E “a queda da atividade em abril sugere que o impacto deve ser mais severo no segundo trimestre”, avisou Lagarde.

A ex-chefe do FMI evidenciou um forte pessimismo quanto ao futuro próximo, dizendo que a economia deve piorar e afundar ainda mais neste segundo trimestre, podendo a queda chegar a 15%.

E depois confessou não saber bem o que aí vem porque “a incerteza é muito elevada”.

Recorde-se que estas contas do staff do BCE já devem incorporar a informação muito negativa divulgada nesta manhã de quinta-feira pelo Eurostat.

O gabinete oficial das estatísticas europeia revelou que a zona euro terá registado, neste primeiro trimestre de 2020, a maior contração económica trimestral (em cadeia, face ao último trimestre de 2019) de que há registo (as séries remontam a 1995). O colapso no PIB chegou aos 3,8%.

Em termos homólogos (comparando com o primeiro trimestre de 2019), a descida foi de 3,3%, o pior registo desde 2009.

Em junho, o BCE avançará com o painel completo das projeções macroeconómicas atualizadas, incluindo valores para a recessão, inflação e taxa de desemprego, entre outros.

(atualizado 15h45)

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