BCE corta crescimento e promete comprar ainda mais dívida pública

Mario Draghi, presidente do BCE
Mario Draghi, presidente do BCE

A economia da zona euro está, de novo, a perder gás e a ser ameaçada com "riscos negativos", alertou o Banco Central Europeu (BCE), que manteve a taxa de juro central no valor mais baixo de sempre: 0,05%.

A região deve crescer apenas 1,4% este ano (há três meses, o BCE dizia 1,5%) e 1,7% em 2016, quando antes a previsão era 1,9%. E pode ser pior, avisou Mario Draghi, que sinalizou vontade entre os governadores para comprar ainda mais dívida pública no âmbito do ‘quantitative easing’, se necessário.

Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião de taxa de juro, o presidente do BCE, disse que os “riscos negativos” para as previsões agora divulgadas aumentaram. Pior ainda, lembrou o banqueiro central, o fecho do exercício de projeção foi a 12 de agosto e muitos eventos críticos aconteceram desde então nos mercados financeiros, disse num clara alusão ao colapso das bolsas asiáticas, designadamente a chinesa.

Portanto, estes desenvolvimentos pós-12 de agosto ameaçam as “próprias projeções” hoje divulgadas, sobretudo as da inflação, até porque o petróleo continua em baixa. A inflação média harmonizada na área do euro esperada para 2015 é agora 0,1% (em vez de 0,3% há três meses), 1,1% em 2016 (contra 1,5% antes) e 1,7% (1,8% previamente). O BCE está mandatado pelas leis europeias a manter a inflação próxima, mas abaixo de 2%. Até 2017, o BCE não conta cumprir a sua parte do tratado.

A culpa é do petróleo

Draghi responsabiliza a descida dos preços do petróleo como sendo a razão maioritária para a depressão dos preços a que se assiste. A falta de crescimento explica apenas uma pequena parte, acrescentou.

Para conseguir subir a inflação e depois reanimar a economia, Frankfurt prometeu, uma vez mais, continuar com a política de dinheiro ultra barato para os bancos comerciais do euro na esperança que a banca reencaminhe esses fundos em forma de crédito para empresas e famílias.

E como? Mantendo as taxas de juro diretoras em mínimos, “usando todos os instrumentos disponíveis no nosso mandato” e continuando a comprar o máximo de dívida pública e privada aos bancos (60 mil milhões de euros por mês) no âmbito da expansão monetária (QE ou quantitative easing). Este programa termina em setembro de 2016, mas “pode ser prolongado, se necessário”, disse Draghi.

Aversão ao risco, outra vez

O banqueiro italiano disse que a opção existe, mas que na reunião de hoje do conselho dos governadores do BCE “não se discutiu uma alteração do tamanho ou do ritmo do programa de compras”.

Draghi disse, no entanto, que a expansão das compras de dívida pública pode acontecer tendo em conta a perda de força e a aversão ao risco nos mercados internacionais. Em alguns casos, essas aquisições de títulos aos bancos podem ir além do limite máximo de 25% do total de dívida disponível em cada segmento/emissão (uma regra que serve para evitar a formação de minorias de bloqueio caso de haja situações de reestruturação de dívida).

Em alguns casos, não existe tal risco de acionamento de cláusulas de ação coletiva. Assim, o BCE pode ir além dos 25%, explicou Draghi.

Depositantes gregos poupados a um bail in

O presidente da autoridade monetária revelou ainda que na Grécia não haverá participação de qualquer depositante no salvamento dos bancos do país no seguimento de uma recomendação do BCE.

Durante a negociação do resgate grego, em julho, chegou-se a aventar que depositantes com mais de 100 mil euros na conta poderiam ser chamados a ajudar no resgate interno (bail in) da banca, mas isso atingiria em cheio o aforro das empresas, sobretudo das PME, argumentou.

Seria um péssimo sinal num país cujo sistema bancário foi quase destruído pela incerteza das semanas de negociação do programa de ajustamento e pelas medidas extremas de controlo de capitais e congelamento abrangente de pagamentos e depósitos. Assim, o envolvimento de “quaisquer depositantes” não deve, nem pode acontecer, disse o líder do BCE.

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