Política Monetária

BCE deve deixar taxas de juro inalteradas na próxima reunião

Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach
Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach

O Banco Central Europeu deverá manter inalteradas as taxas de juro de referência para a zona euro na sua reunião de quinta-feira, em Frankfurt.

O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter inalteradas as taxas de juro de referência para a zona euro na sua reunião de quinta-feira, em Frankfurt, segundo os analistas ouvidos pela Lusa.

O economista chefe do Montepio Geral, Rui Bernardes Serra, considera que, depois de na reunião de dezembro o BCE ter estendido por mais nove meses o programa de compra de dívida e de ter anunciado que, a partir de 1 de abril, o ritmo de compras mensais será reduzido, é esperada uma “manutenção das taxas de juro e do essencial do programa”.

É provável, no entanto, que as previsões para o PIB e para a inflação possam ser ligeiramente revistas em alta, refere. Para Rui Bernardes Serra, o presidente do BCE, no seu discurso, deverá sinalizar o seu compromisso em atingir o ‘target’ de 2% para a inflação no médio prazo. “É verdade que, em fevereiro, a inflação homóloga já atingiu os 2%, facto que já deve ter colocado o BCE em alerta, mas não devendo, para já, provocar alterações na sua política monetária, já que a inflação ‘core’ (0,9%) está bastante abaixo dos 2%”, disse.

Ou seja, para o economista chefe do Montepio, o BCE deverá continuar com uma política “extremamente expansionista, sinalizando, ao contrário do que alguns economistas alemães têm vindo a defender após a forte aceleração da inflação daquele país a partir de dezembro (e também, de um modo geral, nos demais países da zona euro), que não pretende efetuar subidas de taxas este ano e no próximo”.

Já o gestor da corretora XTB Eduardo Silva destaca que o sentimento positivo na Europa “está a gerar algum ruído em torno da reunião de março, que se previa bastante calma”. Para Eduardo Silva, o “grande desafio” do presidente do BCE, Mario Draghi, será o de “resistir à pressão de anunciar que o programa de compra de dívida tem os dias contados”.

“No momento em que o mercado sentir que a política monetária vai inverter, o euro irá valorizar fortemente, os periféricos irão sentir maiores dificuldades de financiamento e as ações das maiores exportadoras irão sofrer a tensão do mercado. Isto tudo acrescido do facto que fica a ideia que o banco central cedeu por fim à pressão dos alemães”, disse.

Eduardo Silva defende que, face a este contexto, Draghi terá que fazer um balanço entre traçar um cenário menos negativo sem, no entanto, anunciar uma inversão na política do BCE. “Nos EUA e no Reino Unido, onde os programas foram bem sucedidos, ambos os países resistiram a anunciar o fim precipitado do programa, o bom senso recomenda que se siga uma postura similar. As pressões são, todavia, evidentes e públicas”, apontou. Por seu turno, José Lagarto, gestor de ativos da Orey Financial, sublinha que “desde a última reunião do BCE, em 19 de Janeiro, os dados económicos na Europa têm sido positivos e, em especial, os dados relativos à inflação que têm surpreendido pela positiva”.

O responsável assinala que Draghi “tem vindo até agora a desvalorizar as subidas observadas na taxa de inflação, apontando a subida dos preços da energia como principal responsável pelos números observados, já que a inflação ‘core’ se tem mantido inalterada a 0,9%” e que “esta ideia poderá voltar a ser defendida na reunião deste mês”. Segundo José Lagarto o calendário eleitoral europeu continua a ser um “fator de risco considerável” para a economia europeia.

“Do outro lado do Atlântico, os fatores de risco também não são menores. As promessas do Presidente dos EUA, de uma política protecionista e de uma ‘América primeiro’, poderão ter um impacto significativo a nível global. Por fim e não menos importante, a revisão em baixa do crescimento chinês estimado pelo primeiro-ministro Li no início desta semana, o que poderá também pesar no crescimento global da economia”, acrescenta.

“Neste cenário de incerteza elevada, o BCE poderá manter inalterada a sua política monetária, tanto no que toca à taxa de juro, como no que respeita às medidas de política monetária não convencional”, remata. Também Teresa Gil Pinheiro, analista financeira do BPI, aponta para que “o BCE mantenha inalterada a sua política monetária” na reunião de quinta-feira, tanto no que se refere ao nível das taxas de juro como ao programa de compra de ativos.

“Contudo, é possível que seja adotado um discurso mais otimista na medida em que se tem assistido à divulgação de informação económica que aponta para o fortalecimento da atividade, evidente, por exemplo, no comportamento dos indicadores PMI que apresentam uma forte correlação com o PIB”, sublinha. Quanto à inflação, a analista do BPI antecipa que o BCE mantenha um “discurso cauteloso”.

 

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