Zona Euro

BCE discutiu pacote de medidas para estimular economia na reunião de julho

Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu. REUTERS/Kai Pfaffenbach
Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu. REUTERS/Kai Pfaffenbach

Na reunião de julho, os membros do Conselho de Governadores do BCE debateram um “possível pacote” de medidas

O Banco Central Europeu (BCE) debateu, na sua última reunião do Conselho de Governadores, em 25 de julho, um pacote de medidas para estimular a economia da zona euro, mostram as atas do encontro divulgadas esta quinta-feira.

Na reunião de julho, os membros do Conselho de Governadores do BCE debateram um “possível pacote” de medidas, “como a combinação de descidas das taxas de juro e a compra de ativos”, já que, no entender do banco central, uma combinação de medidas é “mais eficiente do que uma sequência de ações seletivas” se forem empregues “instrumentos com significativas complementaridades e sinergias”, indicam as atas do encontro.

Os especialistas antecipam que o BCE pode descer, na próxima reunião em setembro, a sua taxa de juro dos depósitos, atualmente em -0,4%. Esta taxa negativa, que a instituição cobra aos bancos, visa estimulá-los a emprestar a liquidez que têm em excesso em vez de a aplicar em depósitos a um dia no BCE.

Os analistas antecipam que o BCE pode também prometer taxas de juro baixas por um prolongado período de tempo, assim como avançar com um novo programa de compra de títulos de dívida pública, como forma de injetar liquidez no sistema financeiro da zona euro, uma forma de manter o crédito ‘barato’ para as empresas do bloco.

As atas da última reunião do BCE indicam também que houve um amplo acordo em torno da “necessidade de uma posição acomodatícia na política orçamental por um longo período de tempo” e os governadores assumiram que as taxas de juro não irão subir durante o primeiro semestre de 2020.

E isto porque “a taxa de inflação, quer a real como a prevista, tem estado persistentemente abaixo dos níveis que estavam em linha com os objetivos”, indica o documento.

No final da última reunião, em julho, o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou que estava disposto a agir em setembro, se fosse necessário, perante a desaceleração da economia e a estagnação da inflação abaixo dos níveis desejados.

Também foi enfatizado na reunião que, paralelamente à forma como o BCE decide agir para fazer face ao cenário macroeconómico na zona euro, “os governos devem usar a sua margem orçamental” quando isso for possível, e aqueles que têm dívidas elevadas devem continuar a reconstruir essa ’almofada’ orçamental.

O BCE considera também que a “prolongada presença de incerteza, relacionada com fatores geopolíticos, a crescente ameaça de protecionismo e as vulnerabilidades nos mercados emergentes”, faz com que predominem os riscos negativos para a economia da zona euro.

No documento, o banco central refere que a maioria dos fatores de risco estão fora da zona euro, mas aponta que dificultam a evolução económica do bloco.

De acordo com os especialistas, a desaceleração económica afetou sobretudo as exportações e o setor da indústria, mas os peritos receiam que outros setores como os serviços e a construção também possam ser contagiados.

A economia da zona euro cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre, enquanto a economia alemã, a maior da região, contraiu-se 0,1% e pode já estar em recessão, conforme alertou o Bundesbank, banco central alemão, esta semana.

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