BCE mantém plano para acabar com dinheiro barato no final deste ano

Frankfurt mantém tudo. As taxas de juros em mínimos e o calendário do quantitative easing, que acabará mesmo no final deste ano.

Para já, com a informação disponível, não há razões para alterar a rota. O Banco Central Europeu (BCE) mantém o plano para terminar gradualmente o programa de compra de ativos, sobretudo dívida pública, o que permite manter os juros europeus em níveis extremamente baixos, quase zero.

Na reunião de política monetária desta quinta-feira, Frankfurt decidiu manter as taxas de juro diretoras da zona euro em mínimos, bem como o calendário e o ritmo da reta final do tal programa de compras, o quantitative easing (QE ou APP), que terminará como previsto no final deste ano.

Ou seja, apesar dos alertas de várias instituições, como a Comissão, o FMI, para as nuvens negras que começam a pairar sobre a economia mundial por causa da guerra comercial promovida pelos Estados Unidos, o BCE presidido por Mario Draghi optou por manter o discurso e a rota já definida desde junho.

O banco central reconheceu já que tais riscos existem, mas defende que para não há dados que permitam aferir que isso está a ameaçar deprimir a inflação ou tirar gás às economias. É por isso que, para já, mantém o plano de terminar o programa de ajuda monetária.

Coincidentemente, esta quinta-feira também, no encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, houve sinais de que pode haver tréguas comerciais entre os EUA e a União Europeia, dissipando parte do clima de medo e do risco de uma crise séria, que pode flagelar exportações e obrigar a cortar empregos.

Na conferência de imprensa, em Frankfurt, Draghi disse que o que saiu desse encontro de alto nível é "um bom sinal" para resolver o conflito comercial, mas também alertou que é "muito cedo" para avaliar resultados concretos. "A ameaça de protecionismo continua a ser importante", insistiu o banqueiro central.

Tudo igual

"Na reunião de hoje , o conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0%, 0,25% e -0,4%, respetivamente", informa a autoridade monetária numa nota.

Frankfurt espera que estas taxas de juro "se mantenham nos níveis atuais, pelo menos, até durante o verão de 2019 e, em qualquer caso, enquanto for necessário para assegurar a continuação da convergência sustentada da inflação". A meta do BCE é um nível abaixo, mas próximo, de 2% no médio prazo.

Quanto às medidas de política monetária não convencionais, o tal programa de compras (asset purchase programme, APP ou QE), o plano mantém-se. A ideia é fazer compras "ao atual ritmo mensal de 30 mil milhões de euros até final de setembro de 2018".

E depois, "após setembro de 2018, sob reserva de os dados entretanto disponibilizados confirmarem as perspetivas do conselho do BCE relativamente à inflação" no médio prazo, reduzir o ritmo mensal das aquisições de ativos (dívida pública, privada) "para 15 mil milhões de euros até ao final de dezembro de 2018 e que as aquisições líquidas cessem nesta data".

"O conselho do BCE pretende reinvestir os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do APP durante um período prolongado após o termo das aquisições líquidas de ativos e, em qualquer caso, enquanto for necessário para manter condições de liquidez favoráveis e um nível amplo de acomodação monetária", reitera o banco central na mesma nota. É uma forma de conservar os juros baixos por mais tempo, mesmo sem estar a fazer compras no mercado.

Portugal tem beneficiado bastante

Recorde-se que Portugal tem sido especialmente beneficiado com este programa do BCE. As compras de dívida fizeram baixar as taxas de juro da República para mínimos de sempre (abaixo de 2%, nos prazos mais longos). Atualmente, a taxa das obrigações nacionais a dez anos está na casa dos 1,7%. Há vários meses que essas taxas de juro se mantêm em redor dos 2%.

Por exemplo, em 2017, o Banco de Portugal (que integra a rede do BCE e é responsável pela implementação do QE no país) comprou de forma mais intensiva títulos de dívida pública quando se compara com a média da zona euro.

Segundo informações do BdP, noticiadas pelo Dinheiro Vivo, do valor total de aquisições realizadas no ano passado ao abrigo do quantitative easing (QE), 87,2% foi em dívida pública portuguesa.

Na zona euro, essa proporção foi de 80,9%, mostram números revelados pelo banco central governado por Carlos Costa.

No caso de Portugal, dos 47 mil milhões de euros comprados em ativos em 2017, 41 mil milhões aconteceram via "programa de compra de ativos do sector público", diz o BdP. Obrigações do Tesouro detidas pelos bancos comerciais, basicamente.

(atualizado às 15h30 com declarações de Mario Draghi)

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