taxas de juro

BCE mantém taxas de juro em zero e estímulos até setembro

Mario Drahi, presidente do Banco Central Europeu. Fotografia: Banco Central Europeu
Mario Drahi, presidente do Banco Central Europeu. Fotografia: Banco Central Europeu

Draghi promete injetar dinheiro barato "por um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos"

A taxa de juro principal da zona euro ficou em 0%, o valor mais baixo de sempre e que vigora desde março de 2016, decidiu esta quinta-feira o conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE).

O desenho do programa de estímulos a partir de janeiro, de injeção de dinheiro a custo praticamente zero, também se mantêm. O BCE comprará dívida pública e outros ativos detidos pelos bancos ao ritmo de 30 mil milhões de euros em compras mensais, até setembro do ano que vem, no mínimo.

“O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras permaneçam nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos”, diz a instituição presidida por Mario Draghi.

O BCE mantêm todos estes apoios aos bancos comerciais da zona euro (e, indiretamente, aos Estados soberanos) um dia depois de a Reserva Federal dos Estados Unidos ter decidido encarecer o custo do crédito na maior economia do mundo.

Naquela que foi a última decisão de Janet Yellen, como presidente, a Fed aumentou o intervalo das taxas de juro em 25 décimas, para entre 1,25% e 1,50%. Foi a terceira subida deste ano.

Já o BCE mantém os estímulos, não havendo uma data precisa para o fim do seu programa de expansão monetária. Contudo, Frankfurt começou a fazer alguns acertos e calibragens na forma como injeta fundos a custo zero na zona euro.

Metade do dinheiro, mas mais nove meses às compras

Em outubro, Draghi anunciou que, até final deste ano, mantêm-se as compras mensais de ativos aos bancos, especialmente dívida pública, na ordem dos 60 mil milhões de euros (na zona euro) ao mês.

No entanto, decidiu cortar a intensidade do programa de QE (quantitative easing) para metade em janeiro (compras de 30 mil milhões de euros ao mês), ao mesmo tempo prolongou por nove meses o QE.

Ou seja, em vez de acabar já este ano, o apoio à dívida soberana continua até setembro de 2018, pelo menos, mantendo assim as taxas de juro muito baixas por muito mais tempo.

Portugal é dos países que mais beneficia deste QE, tendo em conta a fatura enorme de juros que já tem de pagar por causa da dívida pública tão elevada (quase 130% do PIB), uma das maiores do mundo desenvolvido.

Ao abrigo do programa de compra de ativos o Banco Central Europeu já injetou nos bancos portugueses mais de 30 mil milhões de euros por conta de títulos de dívida pública (obrigações do Tesouro) por eles detidos. Esse dinheiro a custo zero (que ajuda a conter as taxas de juro domésticas) continuará a ser fornecido, mas não para sempre, claro.

A maioria dos analistas diz que os efeitos do QE vão sentir-se até 2019 ou mesmo 2020, pois o BCE não se vai desfazer dos títulos de dívida e outros que tem andado a comprar aos bancos e às maiores empresas de cada país do euro, como a EDP, no caso de Portugal.

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