Política Monetária

BCE revê em baixa estimativas após dados “mais fracos que o esperado”

Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach
Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach

Draghi admite que os últimos dados económicos foram “mais fracos que o esperado”. Apesar do fim das compras garante que o BCE continua pronto a agir.

O Banco Central Europeu reviu em baixa as estimativas para o crescimento económico e para a inflação. O presidente da autoridade monetária, Mario Draghi, observou que os últimos indicadores foram “mais fracos que o esperado”. Ainda assim, o banco central cumpriu com a expectativa de terminar com as compras líquidas de ativos na reunião desta quinta-feira que contou com a presença do presidente do Eurogrupo, Mário Centeno,

Na conferência de imprensa sobre as decisões de política monetária, o presidente do BCE referiu que as projeções do staff do banco central anteveem “uma subida real do PIB de 1,9% em 2018, 1,7% em 2019, 1,7% em 2020 e 1,5% em 2021. Comparado com as projeções macroeconómicas do staff do BCE em setembro foram ligeiramente revistas em baixa em 2018 e 2019”. Anteriormente o BCE previa uma subida de 2% e 1,8% nesses anos. Já para a inflação, a previsão também foi ligeiramente revista em baixa para 2019, passando de 1,7% para 1,6%.

As novas previsões do BCE incorporam a informação que foi recolhida nos últimos meses. Draghi destacou que “os últimos dados foram mais fracos que o esperando, refletindo uma diminuição da contribuição da procura externa e alguns factores específicos de países”. O presidente do banco central considera que “apesar de alguns destes factores provavelmente acabarem por se dissipar, isto pode sugerir um impulso de alguma forma mais fraco para o crescimento”.

Draghi diz que BCE continua pronto a agir

Mario Draghi considera que os “riscos a envolver as perspetivas de crescimento na zona euro podem ainda ser avaliadas como genericamente equilibradas”. Mas o presidente do BCE admite que há fatores de incerteza que podem ter impacto negativo devido “à persistência de incertezas relacionadas com factores geopolíticos, a ameaça de protecionismo, vulnerabilidades nos mercados emergentes e volatilidade no mercado financeiro”.

Do outro lado da moeda e a dar confiança para terminar as compras líquidas de ativos, Draghi destacou “a procura interna” a “a força do mercado de trabalho, refletida na continuidade dos ganhos no emprego e na subida dos salários”. O líder do banco central destaca ainda pela positiva o investimento das empresas e o investimento residencial. “Isto apoia a nossa confiança numa convergência sustentada da inflação para o nosso objetivo irá acontecer e ser mantida mesmo depois das compras líquidas de ativos”, considera Mario Draghi.

Ainda assim, a incerteza obriga a continuar com uma política monetária acomodatícia, argumenta o banqueiro central. E apesar de o BCE parar com novas compras, Draghi defende que “a nossa orientação futura par as taxas de juro de referência do BCE, reforçada pelos reinvestimentos de um valor significativo de ativos já detidos, continuam a proporcionar o grau necessário de acomodação monetária”.

Draghi relembrou que o “Conselho de Governadores continua pronto a ajustar todos os seus instrumentos, caso seja apropriado, para assegurar que a inflação continua a direcionar-se para a meta de forma sustentada”. O mandato do BCE é conseguir com que este indicador esteja perto mas abaixo de 2%. E questionado sobre se o banco central continua com munições caso a economia dê sinais mais negativos, Draghi garantiu que o BCE tem instrumentos para fazer face a esse cenário.

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