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BdP diz que banca e empresas é que aguentam excedente da economia

Carlos Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa
Carlos Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa

Banco de Portugal diz que o único sector que está a gerar défice ao país (necessidade de financiamento) é o das administrações públicas.

O sector financeiro e as empresas não financeiras é que continuam a aguentar o excedente externo da economia portuguesa, diz o Banco de Portugal. O único sector que gera défice (necessidade de financiamento) é o das administrações públicas.

Adicionalmente, o saldo externo nacional está a diminuir, mas ainda é positivo: no segundo trimestre deste ano (valores acumulados dos quatro últimos trimestres), o excedente equivalia a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). No final de 2015, valia 1,7%. Na zona euro, era mais do dobro; ficou em 3,4% do PIB no final de junho.

A nota publicada nesta quinta-feira pelo banco central diz que “no ano acabado no segundo trimestre de 2016, e tal como acontece desde o final de 2012, a economia portuguesa evidenciou capacidade de financiamento, no valor de 1,2% do PIB”.

A capacidade de financiamento do país “refletiu a poupança financeira das sociedades financeiras, dos particulares e das sociedades não financeiras (respetivamente de 3,2%, 0,8% e 0,6% do PIB)”, sendo que “esta poupança foi mais do que suficiente para satisfazer as necessidades de financiamento das administrações públicas, que totalizaram 3,4% do PIB”.

Recorde-se que este é o défice do ano que termina no final de junho. Se contarmos apenas o primeiro semestre, o défice público é menor, cerca de 2,8%, anunciou já o INE.

Se há um excedente, significa, grosso modo, que o sector em causa gerou mais receitas do que despesas ao longo do período em análise. Um défice, como acontece com o governo, existe sempre que os recursos gerados não são suficientes para cobrir os gastos, tendo esta diferença de ser colmatada com recurso a financiamento externo.

Segundo o BdP, “os ativos financeiros líquidos das sociedades não financeiras e das sociedades financeiras apresentaram um aumento homólogo de, respetivamente, 4,6 e 3,1 pontos percentuais do PIB, refletindo a respetiva poupança financeira”.

“Os ativos financeiros líquidos das administrações públicas aumentaram 2,3 pontos percentuais do PIB devido ao efeito positivo neste rácio da variação do PIB e das variações nos preços dos ativos financeiros e dos passivos, que mais do que compensaram as necessidades de financiamento deste setor.”

Até aqui temos a evolução dos fluxos financeiros. Mas também já é possível conhecer qual a situação patrimonial da economia. “No final do segundo trimestre de 2016, a economia portuguesa tinha uma posição financeira líquida face ao resto do mundo de -105,6% do PIB, superior aos -108,4% do PIB registados no final do trimestre anterior”.

Ou seja, para o banco governado por Carlos Costa “manteve-se, assim, a tendência de melhoria observada desde o início de 2014, apenas com uma breve interrupção no início de 2015”.

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