Banco de Portugal

Empresas devem fazer cenários com juros 2% mais altos

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Foto: D.R.
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Foto: D.R.

Ambiente de juros baixos não vai durar para sempre e os empresários portugueses, sobretudo os exportadores, devem preparar-se para um quadro mais exigente, diz Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

Numa altura em que as taxas de juro da zona euro estão em mínimos históricos, surge de novo o aviso do governador do Banco de Portugal: o ambiente de juros baixos não vai durar para sempre e os empresários portugueses, sobretudo os exportadores, devem preparar-se para um quadro de juros bem mais exigente.

“Aos empresários digo que coloquem dois pontos percentuais em cima da taxa de juro com que estão hoje a trabalhar”, disse Carlos Costa nesta terça-feira, numa conferência dedicada ao sector exportador.

O chefe do banco central ressalvou: “não é que os empresários tenham de vir a pagar esses juros, mas o exercício serve para avaliar o esforço financeiro com que podem ser confrontados no futuro”, referiu. No fundo, é ver se a empresas conseguem resistir ou não a novos choques nos mercados de crédito.

Uma coisa é certa: as taxa de juro hoje praticadas são muito baixas e não vão ficar assim para sempre; mais cedo ou mais tarde irão subir. Foi esta a mensagem passada por Costa.

Na quinta conferência da central de balanços, a enorme base de dados do BdP sobre empresas do sector não financeiro português (2010 a 2015), o governador elogiou a capacidade de algumas empresas nacionais em dar a volta, sobretudo as que se tornaram exportadoras de referência internacional. Frisou várias vezes que a economia portuguesa e a criação de empregos depende muito da força dos exportadores. O mercado interno é pequeno, insuficiente.

“Somos capazes de jogar o jogo e de ganhar o jogo das exportações e num quadro concorrencial”, referiu, dando quatro exemplos de “sucesso”: o sector dos moldes, o calçado, a educação e a indústria metalomecânica.

Exportadores envelhecidos?

No entanto, continuou o banqueiro central, “em alguns destes sectores predominam empresas que estão já na segunda ou terceira geração” e que portanto precisam de se reinventar, de reinvestir, para poderem continuar a expandir-se”.

“Têm de rever os seus modelos de organização, de governance” e “depois de oito anos a tirar o pé do acelerador, as empresas têm necessidade de investir” e algumas, para o fazer, precisam de se desendividar primeiro.

“Não é possível produzir e exportar mais” se não houver reinvestimento e, usando a gíria das fábricas, “fazer o retrofiting das máquinas”, rematou Carlos Costa.

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