BE é contra a privatização dos Estaleiros Navais só havendo um candidato

Brasil quer usar estaleiros
Brasil quer usar estaleiros

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins disse hoje que não existem condições para continuar o processo de reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) com apenas um candidato formal.

“Qualquer pessoa percebe que isto não é um processo privatização. É um processo de entregar, a preço de saldo, uma empresa importantíssima”, afirmou o dirigente bloquista, no final de uma visita aos estaleiros.

Nesta altura, os russos da RSI Trading são os únicos que formalmente continuam na corrida à reprivatização e acabam de estender a validade da proposta vinculativa de compra por mais 60 dias.

Face a isto, e após reunir com a administração dos ENVC e com representantes dos 625 trabalhadores, Catarina Martins afirmou que o Governo “não tem condições objetivas” para continuar com a venda da empresa.

É um negócio por si só “ruinoso para os cofres públicos” e “irresponsável” para a economia e emprego da região, acrescentou.

“O que é preciso exigir já é parar com o processo de privatização. Não se pode vender uma empresa ao único interessado, não tem sentido, é ruinoso”, sublinhou.

Apesar de assumirem o interesse nos ENVC, os brasileiros da Rio Nave, que também apresentaram propostas formais de compra em novembro, não prolongaram a respetiva validade, face às dúvidas levantadas pela Comissão Europeia aos apoios públicos atribuídos aos estaleiros entre 2006 e 2010, de 180 milhões de euros.

Para a coordenadora do BE, os estaleiros são uma empresa “âncora” do desenvolvimento do país, tendo em conta a “vocação exportadora” e a aposta estratégica, nacional, no setor marítimo.

“A desvalorização da empresa terá um efeito dominó sobre a toda região, do ponto de visto económico e do emprego, que é verdadeiramente catastrófico e que é preciso evitar”, sublinhou.

Acrescentou que os 260 milhões de euros de passivo da empresa, que resultaram da “gestão ruinosa” dos últimos anos, “já estão do lado dos contribuintes”, reforçando por isso a necessidade de parar o processo de reprivatização, tendo em conta que “nenhum privado” vai assumir este défice.

“A privatização não resolve nenhum problema”, insistiu Catarina Martins.

A coordenadora do BE apontou ainda a necessidade de o Governo libertar “rapidamente” verbas para a aquisição de material que permita à empresa iniciar a construção de dois navios asfalteiros para a Venezuela. Um contrato rubricado em 2010 por 128 milhões de euros, mas que ainda não avançou devido à falta de liquidez dos ENVC.

“Se não responderem a essa a encomenda, a multa que o Estado português terá de pagar é muito maior do que o dinheiro que é necessário neste momento para o trabalho poder prosseguir”, rematou Catarina Martins.

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