BE quer ouvir Mário Centeno com caráter de urgência sobre fim de moratórias bancárias

Primeira tranche de moratórias vence no próximo dia 31 de março. Partido considera que a medida tem sido "um balão de oxigénio" para milhares de famílias e empresas

O Bloco de Esquerda quer ouvir o Governador do Banco de Portugal com caráter de urgência sobre as moratórias bancárias, tendo em conta que as primeiras vão terminar já no dia 31 de março.

"As moratórias são o balão de oxigénio para muitas famílias e a diferença entre ter ou não ter a alimentação e os recursos básicos. Para muitas empresas significa manter as portas abertas e os empregos", afirmou a deputada bloquista Mariana Mortágua, numa conferência de imprensa na Assembleia da República, revelando que têm chegado ao grupo parlamentar "muitos relatos de famílias e empresas que começam a receber pedidos dos bancos para começarem a pagar as suas prestações." "A economia ainda não recuperou", sublinhou.

Para o BE há três questões que espera esclarecer com a audição de Mário Centeno: o número de famílias e empresas que estão nesta situação (os últimos dados são de setembro), o prolongamento das moratórias para quando a economia estiver em recuperação e a criação de planos de reestruturação para quando as famílias e empresas começarem a pagar os créditos.

"A primeira questão é compreender que empresas e famílias permanecem nas moratórias privadas porque não podemos correr o risco de falências", afirmou Mariana Mortágua, lembrando que "houve uma determinação de que todas as moratórias privadas (promovidas pela Associação Portuguesa de Bancos) iriam passar para o regime das moratórias publicas" que terminam apenas no final de setembro.

Por outro lado, a parlamentar bloquista aponta uma recuperação mais lenta da atividade. "Os dados da economia não nos permitem prever uma recuperação antes do fim de setembro e não acreditamos que muitas empresas e famílias estejam em condições de pagar os seus créditos", defendendo o prolongamento das moratórias para garantir que a economia recupera para depois se poder retomar os pagamentos aos bancos. Mariana Mortágua refere que esta medida também interessa à banca "porque se houver um fim antecipado, os bancos terão de registar perdas e significa pôr em risco os seus rácios de capital. É proteger a solidez dos bancos", concluiu.

A deputada defende ainda a criação de um plano de reestruturação de créditos para quando forem retomadas as prestações. "Será necessário ter planos de reestruturação para fazer uma recuperação de crédito para que as famílias não percam as suas casas ou as empresas abram falência e não pode ficar ao critério da banca", frisou.

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