Aguardente

Bebeu-se mais CR&F em casa, agora volta ao restaurante

João Portugal Ramos, um dos maiores produtores de vinho do Alentejo, tem também a CR&F
(Diana Quintela / Global Imagens)
João Portugal Ramos, um dos maiores produtores de vinho do Alentejo, tem também a CR&F (Diana Quintela / Global Imagens)

A aguardente centenária que Portugal Ramos recuperou para o país subiu vendas em 10% (às famílias) e ajustou planos no relançamento.

Carvalho, Ribeiro e Ferreira. Aos apelidos das três famílias que dão nome à aguardente velha mais célebre e rica é mais que merecida, porém, uma adenda: Portugal Ramos. Foi pela mão de João que, hoje com 125 anos de vida, a CR&F voltou ao país e a ser considerada uma mais-valia nas mesas portuguesas. Produzida em Estremoz, na sede do grupo vinícola, a partir de vinhas de várias zonas do país, quatro anos depois de deixar o terceiro maior produtor de destilados do mundo, o grupo Beam Suntory, a CR&F representa 20% da faturação do grupo, está em 14 países e detém 60% do mercado nacional de aguardentes velhas. “Somos líderes de mercado”, resume Raquel Almeida, diretora de marketing do grupo português.

O hábito de terminar refeições com uma aguardente voltou surpreendentemente depressa e isso traduziu-se nos resultados da empresa. “No último ano, comercializámos um número histórico de 100 mil caixas CR&F, cada uma de nove litros.” O que a distingue? “É a única aguardente autorizada a usar o método Solera, que lhe traz uma qualidade única”, explica Raquel. São três filas de barricas empilhadas e o líquido que se extrai para a garrafa vem sempre da inferior, tendo a aguardente três referências: duas vínicas (reserva e reserva extra) e uma bagaceira, tradição recuperada pela Portugal Ramos.

Sendo um produto bastante social, a pandemia congelou o consumo em restaurantes, mas potenciou as vendas diretas, sublinha João. “No último estudo de mercado realizado em que abordámos as ocasiões e locais de consumo, confirmámos que 69% dos consumidores de CR&F também bebe em casa. Claro que é uma aguardente que se bebe maioritariamente entre amigos e familiares e esses momentos foram penalizados, mas se as vendas para o canal HORECA caíram, no retalho subiram em média 10% face ao ano passado.” João acredita que a CR&F tem e terá um papel na nova normalidade. “Depois de tantos meses à espera, os portugueses vão voltar a estar juntos à mesa e a CR&F é uma ponte facilitadora destes momentos sociais.”

De resto, há outro papel que não nega: o de dar uma ajuda à restauração, pelo que, em conjunto com a distribuidora Empor Spirits, preparou ações de apoio para as primeiras compras dos restaurantes e para gerar confiança, lançou a campanha Vale a pena esperar – primeiro com mupis nas zonas de restauração de Lisboa e Porto e agora com uma ação de charme junto desses parceiros, levando aguardentes icónicas à comemoração dos 125 anos da marca.

Confiante no presente e no futuro, o grupo nunca parou a produção, ainda que tenha abrandado o ritmo para proteger as equipas com rotatividade. “Como o pico de vendas de aguardente é o final do ano, aproveitámos também para reforçar stocks para futuro”. Depois de produzir e doar álcool gel para as comunidades locais, os planos passam agora por uma nova estratégia de marketing adaptada aos novos tempos. “Repensámos investimentos de forma a otimizar o modelo de marketing da marca, sustentando onde somos fortes. Há investimentos que sustentam o posicionamento e o volume que vamos manter, até reforçar, e outros que temos de adiar. Mas a CR&F mantém-se viva através da ligação ao consumidor, vendendo tradição nesta altura desafiadora.” Palavra de quem sabe.

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