Banco Europeu de Investimento

BEI. Portugal é o terceiro melhor do plano Juncker

Werner Hoyer, Presidente do Banco Europeu de Investimento. EPA/OLIVIER HOSLET
Werner Hoyer, Presidente do Banco Europeu de Investimento. EPA/OLIVIER HOSLET

"É uma história de sucesso", diz presidente do BEI, Werner Hoyer. Plano Juncker emprestou até agora 5,5 mil milhões a projetos nacionais.

Portugal é dos países que mais retorno dá à economia com investimentos assentes nas verbas do plano Juncker, revelam o Banco Europeu de Investimento (BEI) e a Comissão Europeia.

De acordo com o balanço mais recente (meados de novembro último) feito pelas instituições europeias, desde 2015, Portugal conseguiu financiamento (empréstimos a taxas de juro muito baratas) na ordem dos 5,5 mil milhões de euros através do Fundo Europeu para os Investimentos Estratégicos, uma entidade que presta garantias bancárias suportadas pelo orçamento da UE, mas que é operada pelo BEI.

Aquela verba representa um salto de 60% face há um ano (novembro de 2017) e gerou compromissos de investimento adicional da parte do sector privado que elevam o valor dos projetos aprovados para os 8,8 mil milhões de euros (aumento de 32% em termos homólogos).

Segundo o BEI, isto faz de Portugal o terceiro melhor país da Europa no investimento alavancado pelo plano Juncker, tendo em conta a dimensão da economia nacional (PIB). Seguindo este critério, o país mais beneficiado em termos relativos é a Grécia; o segundo lugar é ocupado pela Estónia. Em quarto lugar, a seguir a Portugal, está Espanha.

O bom desempenho de Portugal na capacidade de captar os fundos do plano Juncker para investir em projetos inovadores, educativos ou bons para o meio ambiente foi sublinhado pelo próprio presidente do BEI, Werner Hoyer.

Questionado pelo Dinheiro Vivo durante uma conferência de imprensa que decorreu ontem, no Luxemburgo, sobre como avalia a aplicação do plano Juncker em país como Portugal e outros que estiveram em crise profunda recentemente, Hoyer declarou que está a ir “extremamente bem” e que “Portugal é definitivamente um sucesso”.

O triângulo do banco europeu

“A nossa atividade é mover-nos num triângulo. Num lado, temos o financiamento, os empréstimos, a atividade normal de uma banco; no segundo lado, temos a mistura: nós como uma instituição da União Europeia, somos capazes de combinar o apoio de subsídios, fundos europeus; no terceiro lado, temos o aconselhamento. Isto significa que conseguimos ajudar a que as pessoas e as empresas beneficiem das vantagens de todo o potencial do financiamento e da combinação de apoios”, começou por explicar o líder do BEI.

“A UE tem um papel chave a desempenhar que é ajudar os países que ainda estão atrasados a recuperar a sua capacidade” e nesse sentido “resultou extremamente bem em países como Portugal e Grécia”, acrescentou o mesmo dirigente.

Segundo a tal medida de investimento potencial [empréstimos do grupo BEI mais o capital dos privados] em função da dimensão dos países, “são as economias do leste da Europa e do sul, as que mais dificuldades tiveram nos últimos anos, que mais estão a beneficiar com o nosso apoio. E é assim que deve ser”, reforçou o banqueiro de nacionalidade alemã.

Werner Hoyer explicou ainda, em termos mais globais, que “o fundo Juncker não é bem um fundo, é uma facilidade de garantias bancárias. A ideia é que se alguma coisa correr mal num projeto mais arriscado, mas que esteja alinhado com os objetivos da UE, então a primeira perda que exista é logo apoiada por essa facilidade.”

Com este esquema “conseguimos chegar a um volume total de investimento [empréstimos europeus mais capital privado] que já ultrapassa a nossa meta de 315 mil milhões de euros em meados de 2018, já vamos em quase 360 mil milhões [novembro de 2018]”, sublinhou.

Alguns projetos aprovados em Portugal

Em Portugal, há já 24 projetos aprovados e diretamente apadrinhados (e financiados) pelo plano Juncker. Outros mais poderão ser também apoiados, estando ainda em avaliação ou à espera de serem assinados. Tudo nas áreas das infraestruturas e da inovação.

Alguns exemplos de projetos apoiados são os da Science 4 You, que faz brinquedos didáticos e inovadores. A empresa recebeu um empréstimos do Plano Juncker no valor de 10 milhões de euros e diz que o investimento total chega aos 20 milhões.

O novo campus universitário da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, em Carcavelos, recebeu uma linha de 16 milhões. O investimento global ronda os 47 milhões, diz o BEI.

A Águas de Portugal teve um empréstimo de 420 milhões de euros (que vai chegando em tranches) e o projeto pode valer um total de 727 milhões.

  • * No Luxemburgo. O jornalista viajou a convite do BEI.
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