Belmiro de Azevedo: “Se não for a mão de obra barata, não há emprego para ninguém”

Belmiro de Azevedo, líder da Sonae
Belmiro de Azevedo, líder da Sonae

O ‘chairman’ da Sonae, Belmiro de Azevedo, defendeu esta noite, no Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia, que só com baixos salários será possível a Portugal tornar-se competitivo e criar emprego. “Diz que não se deve ter economias
baseadas em mão de obra barata…Não sei por que não. Se não for a mão
de obra barata, não há emprego para ninguém”, afirmou o empresário e líder da Sonae, sublinhando ser “impossível pagar salários de alta
produtividade a trabalhadores com baixa produtividade”. Ou seja, “a economia só pode pagar salários que decorram de uma certa realidade”.

Opinião sobre os salários Belmiro tem. Já sobre a fiscalidade, é mais prudente na análise. “Não digo se se tributa bem ou se se tributa mal, digo que se tributa muito e às vezes às cegas”, afirma o empresário, para quem dinheiro não é poder. “O poder não está no dinheiro, este é apenas um instrumento que aparece”, diz.

Então onde está o poder? Está nos valores, e por isso, diz a Sonae pode ser eterna. “O que une a Sonae são os valores, é a ética da Sonae”, diz. E um dos valores mais importantes no universo de Belmiro é o da educação e da formação. “Nós temos que educar o povo.Não pode haver progresso sem haver inovação.
Temos de aceitar que é esse o único caminho”, defende o empresário. Outro dos seus valores é o fato de ser um grupo “visceralmente prodesenvolvimento”, razão porque, durante anos não distribuiu dividendos. “Acreditamos que sem investimentos em educação e equipamentos cada vez mais produtivos o país não anda para a frente”, defende Belmiro.

O empresário, que defende Vítor Gaspar – seu companheiro de squash e, “unanimemente” visto como o melhor diretor-geral que passou pelo BCE – por considerar que “fosse quem fosse que lá estivesse falharia as previsões”, porque o que está mal são os modelos matemáticos, assegura que não tem vocação de governante. “Não tenho jeito nenhum para governar.
Seria um desastre. A governação é um bocadinho o contrário da
ação que o mundo empresarial requer. Nas empresas as coisas têm de
ocorrer no tempo certo. Uma empresa quando erra, não tem a
capacidade de tributar o cliente”, frisa.

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