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“Defendo-me!” Berardo assegura que já pagou 231 ME à banca a “troco de nada”

Joe Berardo  na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República, em Lisboa. Fotografia; António Cotrim / LUSA
Joe Berardo na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República, em Lisboa. Fotografia; António Cotrim / LUSA

O empresário José Berardo garantiu esta segunda-feira que já pagou, quase só em juros, cerca de 231 milhões de euros à banca a “troco de nada”. Numa carta de cinco páginas enviada ao presidente da AR, rejeita a ideia de ter ficado “com muitos milhões” dos portugueses e faz a sua defesa num processo em que lamenta ter sido julgado em praça pública.

“Nem eu, nem nenhuma entidade entidade ligada a mim, alguma vez tivemos ao nosso dispor […] dinheiro que tenha sido emprestado pela CGD [Caixa Geral de Depósitos], ou por outros bancos”, assegurou José Berardo numa carta aberta ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

“Excelência, Eu defendo-me”, começa a mensagem em que o empresário sublinha que, apesar de amar o país, pouco deve ao “Estado Novo Português porque apenas” lhe deu o ensino primário, fazendo-o ter de trabalhar aos 13 anos e emigrar aos 17. Vincando que quis, apesar disso, dar o seu “contributo, através da criação de estruturas (museus e jardins) que possibilitam o usufruto pela população de bens culturais” e ainda criado a Fundação Berardo, “através da qual foram atribuídas quase 16 mil bolsas de estudo” a madeirenses, considera ter cumprido o seu dever ao comparecer na Comissão de Inquérito à CGD. E aí, acusa, falharam as instituições ao não assegurar a defesa dos seus direitos à imagem e à defesa, uma vez que, apesar da sua oposição, a audição foi transmitida pelo canal Parlamento com o consequente eco em todos os meios de comunicação social.

“É caso para dizer que a Casa do Povo fechou a porta à violação dos meus direitos fundamentais mas logo abriu a janela a essa mesma violação”, escreve, questionando de seguida “onde está o Portugal Democrático que se indignou, e bem ainda recentemente, com a transmissão indevida de inquirições em processo penal”.

Apontando sucessivas falhas à sua própria inquirição, como o facto de se ter prolongado por cinco horas “sem direito a contraditório”, reconhece porém ter tido “alguns momentos infelizes”, justificando-os por ter respondido “no mesmo tom de desafio a perguntas também elas provocatórias, quando não vexatórias” e assumindo terem esses momentos, “reproduzidos e comentados vezes sem conta”, causado indignação mas sobretudo danos à sua honra e à imparcialidade que supostamente assiste a justiça.

“A minha posição perante os vários processos (…) dificilmente poderá vir a ser apreciada com o necessário distanciamento, pois os tribunais, sendo uma realidade humana, não são imunes ainda que inconscientemente aos efeitos da opinião pública”, diz, criticando uma Comissão Parlamentar que considera ter tomado a forma de “um verdadeiro julgamento popular”. E apela a Ferro Rodrigues para que impeça que tal possa voltar a acontecer.

O caso CGD na versão de Berardo

Depois de quatro páginas de críticas à forma como foi tratado pelos deputados, ridicularizado na opinião pública e afetado no seu bom nome, imagem e até na sua defesa, Berardo passa a defender-se de factos concretos do processo CGD, indicando que todo o dinheiro foi perdido “por ter sido imediatamente usado na aquisição de ações (o que os bancos sabiam e até incentivaram desde início)” e afirmando que, só em juros, já pagou quase 231 milhões de euros à banca.

“Defendo-me quando querem dar de mim a ideia de ter ficado no bolso com muitos milhões dos portugueses, quando isso não pode estar mais longe da verdade. Nem eu nem nenhuma entidade ligada a mim alguma vez tivemos ao nosso dispor nenhum dinheiro que tenha sido emprestado pela CGD ou por outros bancos”, sublinha, na mesma carta, a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Diz ainda que, “na tentativa de procurar pagar (…) ainda reforcei as garantias prestadas a dívidas que não eram minhas, mas de entidades de que era legal representante, tendo perdido grande parte do meu património dessa forma”.

“E como se não bastasse o ataque ao meu património, tenho agora que defender-me do ataque ao meu bom nome”, vinca no final das cinco páginas dirigidas a Ferro Rodrigues.

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