Energia

Banco BiG prevê lucros da Galp a cair 22% em 2019 para os 533 milhões de euros

Carlos Gomes da Silva, presidente executivo da Galp. Foto: D.R.
Carlos Gomes da Silva, presidente executivo da Galp. Foto: D.R.

Na próxima terça-feira, 22 de outubro, a Galp vai apresentar os resultados do terceiro trimestre de 2019, assim como um novo update estratégico.

Na sua primeira nota de research sobre a Galp, o Banco de Investimento Global – BiG, que começou agora a fazer a cobertura das ações em bolsa da petrolífera portuguesa, dá conta de uma previsão de queda dos lucros, dos 707 milhões de euros registados em 2018, para 553 milhões em 2019.

Na próxima terça-feira, 22 de outubro, antes da abertura dos mercados, a Galp vai apresentar os resultados do terceiro trimestre de 2019, assim como um novo update estratégico.

O resultado obtido no ano passado mostrou um crescimento de 23% face a 2017, muito graças ao aumento da produção petrolífera, bem como pelo preço mais elevado da matéria-prima.

De acordo com as expectativas do banco de investimento, os lucros da Galp só voltarão a recuperar em 2020, para os 683 milhões de euros, mantendo a partir daí sempre uma tendência constante de subida e ultrapassando a marca dos mil milhões de euros em meados da próxima década. As previsões apontam para lucros entre 1010 e 1192 milhões entre 2004 e 2016.

A análise do banco BiG prevê um aumento da produção da Galp de 107 para 122 mil barris diários de petróleo e gás (kboepd), sendo que 90% deste total diz respeito ao petróleo e 10% ao gás. Esta tendência só comerá a mudar em 2023, quanto o petróleo baixar para os 86% e o gás subir para 14%. Em 2026, prevê a instituição financeira, 73% da produção da Galp será ainda de petróleo e 27% de gás.

“Gostamos da Galp pelo seu potencial de investimento a longo prazo. No entanto, mantemos um outlook negativo em relação aos preços do petróleo para o próximo ano, com base na deterioração dos fundamentos macroeconómicos globais (que pesam de forma negativa na procura), face a uma forte oferta de petróleo”, explicou o BiG na nota de “research”, acrescentando que até 2025 a Galp terá de investir fortemente nos projetos que tem em curso.

“A grande mais-valia da Galp é a sua forte produção de petróleo no Brasil, que está em crescimento. A empresa já ultrapassou as previsões de 120 mil barris diários de produção total para este ano, e está no bom caminho para terminar 2019 acima dos 130 mil barris/dia, Impressionante é também a capacidade de colocar em produção as suas unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO), que neste momento está a demorar menos de 10 meses. Acreditamos que este forte crescimento vai continuar até 2020, para quando são estimados níveis de produção acima dos 140 mil barris diários”, sublinhou ainda o BiG.

No pré-sal brasileiro, o grande desafio da Galp será a sua capacidade para gerir o declínio do projeto Lula/Iracema, cuja produção representou em 2019 perto de 80% do output da petrolífera.

Já sobre os futuros projetos de gás em Moçambique, o BiG mostrou-se “menos entusiasta, já que o retorno do investimento será muito provavelmente inferior a 10%”. No entanto, “trata-se de um importante ativo no portfólio da Galp, devido à sua longevidade e estabilidade, sobretudo depois da ExxonMobil ter entrado no consórcio”.

“Alertamos, ainda assim, que há riscos significativos de atrasos e despesas extra não orçamentadas em Moçambique, face às estimativas de 30 mil milhões de dólares, devido à magnitude do investimento e à fragilidade do país”, rematou o banco de investimento.

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