Bitcoin. Venezuelanos viram-se para a moeda virtual para contornar a crise

O valor total das transações semanais com bitcoins teve um aumento de 12.749,1% ao longo do último ano.

Com um nível de hiperinflação que já ultrapassou a barreira dos 1000% e com salários mínimos que já não chegam para ir à mercearia, a Venezuela afunda-se cada vez mais numa crise social, política e económica sem precedentes. As alternativas financeiras são poucas e as Bitcoins podem mesmo ser a única solução a que os venezuelanos conseguem aceder.

Só entre 2014 e 2016, o número de utilizadores da criptomoeda disparou para mais de 85 mil, havendo cada vez mais venezuelanos que optam por comprar estas moedas virtuais como um ativo válido capaz de proteger os seus aforros.

Prova disso são as estatísticas: Em 2016, o valor total das transações semanais com bitcoins era de cerca de 11.674 euros, montante esse que, ao longo do último ano, assistiu a um aumento de 12.749,1%, o que equivale a milhão e meio de euros.

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Estes números explicam até o facto de haver vendedores no país que já só aceitam as moedas virtuais como método de pagamento. “Os habitantes da Venezuela têm muito poucas opções à sua disposição, uma vez que investir dinheiro noutros ativos é praticamente impossível. Tanto o Banco Central como o Governo exercem um controlo estrito sobre como os venezuelanos devem gastar o seu dinheiro, o que faz com que a conversão do bolívar em ouro, prata ou qualquer ativo seja algo demasiado regulado. Neste momento, a Bitcoin parece ser a única opção disponível para as pessoas deste país”, explica Gustavo López, do Diario Bitcoin, citado pelo site CincoDías.

A 'tempestade perfeita' para a moeda paralela

A Venezuela oferece, neste momento, condições contextuais que podem servir de 'incubadora' ao crescimento das Bitcoins: À hiperinflação, acrescem várias medidas restritivas impostas tanto pelo Governo como pelo Banco Central, que proíbem os venezuelanos da compra e venda de divisas ou outros ativos como o ouro, fazendo da criptomoeda o refúgio de milhares de cidadãos daquele país.

Além disso, as Bitcoins beneficiam de uma outra vantagem – a inexistência de limites nas 'exportações' monetárias para o estrangeiro. Ou seja, quem conseguir abrir uma conta com Bitcoins conseguirá recuperar os fundos depositados fora do país, fazendo da moeda virtual uma solução de contorno aos controlos de capital.

Como é que um venezuelano chega às Bitcoins?

Enquanto em países como a Espanha ou outras nações ocidentais conseguem comprar Bitcoins através de empresas especializadas em intercâmbio, os venezuelanos não têm essa facilidade, dadas as restrições impostas no país, mas isso não impediu a existência de alternativas. O maior número de transações da criptomoeda é feito através da localbitcoins.com, um site que opera como intermediário bilateral entre compradores e vendedores.

Existem ainda vias ainda menos convencionais, como o Facebook. Na rede social de Mark Zuckerberg, foram criados grupos compostos por interessados na compra e venda de bitcoins, e onde os membros se ajudam mutuamente com conselhos e dicas para contornar a crise.

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