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Bolsa de São Paulo desaba com crise política no Brasil

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Possibilidade de renúncia do presidente Michel Temer, gravado a pedir suborno, causa pânico: Ibovespa cai 10% e dólar sobe 5% numa manhã

As notícias dando conta de que Michel Temer pode ser alvo de impeachment ou renunciar ao cargo de presidente a qualquer momento criaram uma onda de pânico no mercado financeiro do Brasil. O dólar subiu 5% logo nas primeiras horas desta manhã e o Ibovespa, a bolsa de valores de São Paulo, registou queda de 10 pontos após as revelações no âmbito político e policial. Desde 2008 que não caía tanto. O medo dos investidores, que temem um circuit breaker, ou seja, que o mecanismo de limite de perdas seja acionado, é que as reformas laboral e da segurança social que o governo pensava aprovar fiquem paralisadas até à realização de eleições no país.

Temer foi gravado pela polícia a pedir a um empresário do setor alimentar, Joesley Batista, para pagar – ou continuar a pagar – um suborno a um dos presos na Operação Lava-Jato, que investiga gigantesco esquema de corrupção na política e alta finança brasileiras, para comprar o seu silêncio. O preso em causa é Eduardo Cunha, antigo presidente da Câmara dos Deputados, principal instigador do impeachment que derrubou Dilma no ano passado e aliado antigo de Temer – são ambos do Partido do Movimento da Democracia Brasileira.

O candidato à presidência em 2014 Aécio Neves, presidente do Partido da Social Democracia Brasileira, aliado do governo, também foi envolvido nessas escutas a pedir dinheiro ao mesmo empresário e pode ser detido a qualquer momento, depois do Supremo Tribunal o ter já afastado do cargo de senador que ocupava.

As saídas políticas para o caso passam pela renúncia do presidente, ou o seu impeachment, que já foi pedido entretanto por dois partidos da oposição. Nesse caso, ficaria na chefia de estado o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que teria de marcar eleições num prazo de 30 dias. A Constituição é dúbia quanto ao tipo de eleição prevista – tanto poderia ser indireta, ou seja, por votação dos congressistas, como direta, pelo voto popular, que já está a ser pedido nas ruas de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro por manifestantes.

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