Previsões

Brexit: sem acordo economia britânica pode contrair até 8%

Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra
Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra

Banco de Inglaterra traça um cenário negro para a economia britânica em caso de saída da União Europeia sem acordo.

A economia da Grã-Bretanha poderá contrair até 8% no primeiro trimestre de 2019 com uma saída desordenada da União Europeia. A previsão é do Banco de Inglaterra (BoE), divulgada esta tarde. O banco central britânico estima ainda, no pior dos cenários, uma subida de 7,5% do desemprego e um aumento de 6,5% da inflação. No setor do imobiliário as estimativas do BoE apontam para uma quebra de 30% no preço das casas e de 48% no imobiliário comercial. A libra, por sua vez, poderá cair até 25%, depreciando-se face ao euro e ao dólar.

A instituição liderada por Mark Carney avisa que uma saída do país da União Europeia sem acordo desencadeará a pior recessão desde a crise financeira internacional.

Esta análise surge no mesmo dia em que saíram as estimativas do governo de Theresa May. A economia britânica poderá contrair 0,7% nos próximos 15 anos se adotar o plano para o brexit apoiado pelo governo, mas sem acordo pode encolher 7,6%, segundo as previsões oficiais publicadas esta quarta-feira.

O estudo, coordenado pelo Ministério para a Saída da União Europeia mas produzido em colaboração com outros ministérios, avaliou o impacto económico de quatro cenários em comparação com a permanência na União Europeia (UE).

As hipóteses são o acordo negociado previsto pelo governo de uma zona de comércio livre, um acordo semelhante ao da Noruega, um acordo de comércio livre e uma saída sem acordo.

As estimativas mais pessimistas são para a hipótese de sair sem acordo e levar o país a usar a tabela de tarifas da Organização Mundial do Comércio, que pode retirar à economia 7,6% do que se permanecesse na União Europeia.

Seguindo o caminho da Noruega, que está na União Aduaneira, o que implica manter a liberdade de circulação que o governo e eurocéticos recusam, o Produto Interno Bruno (PIB) reduziria 1,4% nos próximos 15 anos.

Um acordo de comércio livre parecido com o do Canadá, apoiado pelos eurocéticos porque daria ao governo a possibilidade de controlar a imigração e negociar acordos com outros países, resultaria numa retração de 4,9% do PIB.

Porém, o governo britânico afastou esta opção porque põe em causa o compromisso de evitar controlos sobre pessoas ou mercadorias na Irlanda do Norte, no âmbito do acordo de paz de 1998 que pôs fim ao conflito sectário naquele território.

“Se olharmos para isto é uma perspetiva meramente económica, haverá um custo por sair da União Europeia porque vai haver obstáculos ao nosso comércio “, comentou esta quarta-feira de manhã o ministro das Finanças, Philip Hammond, defendendo que um acordo irá reduzir o impacto.

Este estudo é o mais recente de uma série de outras previsões feiras por entidades independentes nos últimos dias. Segundo um estudo do Instituto Nacional de Pesquisa Económica e Social, produzido para a campanha “People’s Vote” que defende um novo referendo, o acordo do governo para brexit vai tirar 100 mil milhões de libras (113 mil milhões de euros) ao PIB britânico do Reino Unido até 2030, ou seja, menos 3,9% pior do que se ficasse na UE.

Previsões feitas pela London School of Economics e pelo Institute for Fiscal Studies, apontam para que a economia britânica contraia entre 1,9% a 5,5% até 2030 se o acordo negociado pelo governo for aplicado.

Uma saída sem acordo, indica o mesmo documento, pode retirar entre 3,5% a 8,7% até 2030 ao PIB britânico.

Aprovado pela UE no domingo, o acordo de saída define os termos da saída do Reino Unido da UE, incluindo uma compensação financeira de 39 mil milhões de libras (44 mil milhões de euros), os direitos dos cidadãos e um mecanismo para manter a fronteira da Irlanda do Norte com a República da Irlanda aberta, se as negociações para um novo acordo não forem concluídas até ao final de dezembro de 2020, quando acaba o período de transição.

Uma declaração política separada define ainda as linhas da relação futura entre o Reino Unido e a UE depois do brexit, nomeadamente a criação de uma zona de comércio livre.

Para ser aplicado, o acordo terá de ser aprovado no parlamento britânico no dia 11 de dezembro e, posteriormente, pelo Parlamento Europeu.

Porém, dezenas de deputados conservadores têm-se manifestado contra o documento e poderão ajudar a oposição – incluindo o partido Trabalhista, nacionalistas escoceses e Liberais Democratas -, a derrotar o governo.

Na segunda-feira, a primeira-ministra britânica admitiu que “ninguém sabe o que aconteceria se o acordo não fosse aprovado”, mas advertiu para “mais discórdia e mais incerteza, com todos os riscos que isso acarretaria”.

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