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Brexit e queda da libra arrefecem turismo da Madeira

O Hotel Vila Baleira, em Porto Santo, vai investir 3,5 milhões de euros na expansão da unidade , com vista a potenciar os serviços de saúde e bem-estar. Fotografia: D.R.
O Hotel Vila Baleira, em Porto Santo, vai investir 3,5 milhões de euros na expansão da unidade , com vista a potenciar os serviços de saúde e bem-estar. Fotografia: D.R.

Ilha de Porto Santo aposta nos mercados nacional e no dinamarquês. Os nórdicos estão a permitir reduzir a sazonalidade do destino.

O Brexit e a desvalorização da libra estão a preocupar o turismo da Madeira, o principal motor da economia do arquipélago. O Reino Unido já perdeu no ano passado a liderança no ranking dos principais mercados de origem de turistas para a Alemanha, o que acabou por se traduzir numa quebra de 1,2% no total de hóspedes, para 1,6 milhões. E os números dos dois primeiros meses deste ano mostram uma redução de 1,7% no número de hóspedes provenientes do Reino Unido, segundo a Direção Regional de Estatísticas da Madeira. Os proveitos do alojamento também baixaram 4%.

Roberto Santa Clara, diretor executivo da Associação de Promoção da Madeira, reconhece a preocupação com a questão do Brexit e, especialmente, “com o sistemático adiar do tema” e o seu efeito de “instabilidade para o consumidor”, a que soma ainda a desvalorização da libra. Tudo isto “é um tema que carece de muita atenção”, até porque os britânicos são tradicionalmente o principal mercado emissor de turistas para a Madeira.

Para contrariar esta tendência, o plano de promoção no Reino Unido tem este ano um orçamento reforçado de 1,2 milhões de euros, revela Roberto Santa Clara. Em paralelo, a associação está a trabalhar mercados consolidados como o alemão e o português e a desenvolver ações em países de aposta como a Suécia, Noruega e Dinamarca. O Brasil e os Estados Unidos estão também na matriz de mercados de diversificação.

Salvar o inverno
A ilha de Porto Santo, que recebeu no ano passado pouco mais de cem mil turistas, está apostada em quebrar os efeitos da sazonalidade. O Hotel Vila Baleira, do grupo português Ferpinta, é das poucas unidades que mantém as portas abertas ao longo de todo o ano. Bruno Martins, diretor do resort, apontou baterias para a Dinamarca e tem conseguido assegurar a ocupação entre outubro e maio. Neste período, os dinamarqueses valem 85% do negócio, que é ainda rentabilizado com os alemães e os ingleses.

Para assegurar o crescimento e tendo em conta as características de Porto Santo, com a areia, água e argila comprovadamente benéficas para a saúde, o Vila Baleira decidiu investir 3,5 milhões de euros na ampliação do empreendimento com foco na área de saúde e bem-estar. O projeto será desenvolvido ao longo dos próximos três invernos, sem colocar em causa a operação.

Vão ser construídos mais 28 quartos junto ao centro de talassoterapia do hotel – um dos maiores do país –, a somar aos 312 existentes, uma mini clínica, com gabinetes médicos e de fisioterapia, mais um restaurante e requalificadas as áreas comuns e quartos já existentes. Um dos objetivos “é apoiar a época de inverno”.

Para este ano, Bruno Martins admite uma ligeira quebra nas receitas. “O mercado nacional [o mais relevante na época alta] sofreu um arrefecimento. Há uma oferta muito grande para outros destinos, países como a Tunísia e a Turquia estão a recuperar, os espanhóis estão muito agressivos e há ainda Cuba, Punta Cana e claro o Algarve”. No turismo, “a concorrência é grande”.

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