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Brexit: Hotéis estudam pacotes para travar fuga de turistas britânicos

Turismo no Algarve
Turismo no Algarve

O mercado britânico é o maior emissor para Portugal. A queda deste mercado foi uma realidade em 2018 e com o Brexit à porta os hotéis olham para a estratégia a seguir.

A data esperada para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) aproxima-se a passos largos. O processo negocial entre Londres e Bruxelas ficou marcado por avanços e recuos o que se traduziu nomeadamente na desvalorização da libra face ao euro. Um efeito cambial que teve réplicas no turismo nacional, que perdeu turistas provenientes do principal mercado emissor: o Reino Unido.

Em 2018 – até novembro – Portugal registou menos 119 mil turistas britânicos que em igual período de 2017, uma quebra compensada pela vinda de visitantes de outros países, como o Brasil e os Estados Unidos. Nas contas finais, o número de hóspedes nos primeiros 11 meses de 2018 foi superior ao ano anterior, superando 19,8 milhões de turistas.

Hoteleiros ouvidos pelo Dinheiro Vivo garantem que o caminho para travar a fuga dos turistas britânicos não passa pela redução do preço. “Os destinos que fazem preços em euros estão mais caros para os ingleses por causa da depreciação da libra e os outros estão mais baratos. A quebra dos turistas britânicos já aconteceu no ano passado. Este mercado não vai desaparecer, mas tem de haver algum cuidado na forma como o tratamos para conseguir mantê-lo”, defende o CEO do grupo Pestana.

Este “cuidado”, explica José Theotónio, passa pela criação de programas especiais com os operadores turísticos. “Com os operadores estamos habituados a montar pacotes que são adequados a cada tipo de mercado. Se calhar antes ficavam em hotéis de cinco estrelas, agora passam a ficar em hotéis de quatro; e aproveitar as épocas – e os ingleses já fazem isso com alguma regularidade – em vez de virem no pico do verão (julho e agosto) começarem a vir numa altura” em que os preços já são mais competitivos, como setembro e outubro.

A estratégia que tem de ser adotada não passa “necessariamente por baixar o preço, até porque há outros turistas que estão a substituir os ingleses e que podem ir para os pacotes mais caros, [mas] criar condições” para que os britânicos possam continuar a visitar Portugal, defende o presidente do maior grupo hoteleiro português.

Os hotéis Dom Pedro – cadeia que tem quatro hotéis e campos de golfe no Algarve e duas unidades hoteleiras na Madeira além de Lisboa – não têm prevista nem uma redução de preços nem a adoção de campanhas especiais. Pelo menos para já. Pedro Ribeiro, diretor de marketing, não esconde que têm estado a “acompanhar com atenção o nível das de reservas, que por agora é equivalente ao ano anterior. Ainda não fizemos nada em termos de adaptação. Temos feito uma pequena oferta pontual em termos de preço, mas dentro de uma política perfeitamente normal”, diz Pedro Ribeiro. Contudo, admite uma mudança na estratégia “se a situação se complicar. Penso que não será para 2019”.

Manter os preços é também o cenário traçado pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). “Em 2018, o Algarve desceu as taxas de ocupação em pouco mais de 1%. Essa quebra resultou sobretudo dos britânicos, mas tem havido uma recuperação de outros mercados que têm compensado, em grande medida, a queda dos britânicos. Os hoteleiros não tiveram necessidade de baixar preços para reter procura”, diz Elidérico Viegas. “Não vamos continuar a subir os preços como nos últimos anos. A tendência é de consolidação dos preços praticados e até das taxas de ocupação”.

Alemães em queda

O mercado alemão é também um dos mais fortes emissores para Portugal. E está a seguir as pisadas do inglês, embora a queda seja de menor dimensão. Os últimos dados do INE indicam que até novembro, estiveram em Portugal 1,21 milhões de hóspedes germânicos, menos 51 mil que no mesmo período de 2017.

E um dos motivos que pode explicar esta quebra é partilhado com o mercado britânico: a abertura de países na Bacia do Mediterrâneo, nomeadamente da Turquia e Tunísia, depois de anos em que a atividade turística teve em queda devido a questões de segurança e que praticam preços mais baixos.

Por outro lado, há o fator económico. A maior economia do euro tem estado a travar o ritmo de crescimento e terá escapado por um triz a uma recessão técnica em 2018. Com o crescimento ao ritmo mais lento dos últimos cinco anos é de prever que o número de turistas alemães venha a baixar.

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