Brexit

Brexit: Mark Carney alerta para potencial crise financeira caso não haja acordo

Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra
Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra

O governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, acredita que um ‘Brexit’ sem acordo poderá propiciar uma crise do setor financeiro com repercussões globais, juntamente com outos fatores como o elevado nível de dívida ou um recuo da economia chinesa.

Numa entrevista difundida esta quarta-feira pela BBC, Carney diz que “não se pode descartar” que em algum momento se produza uma crise como a creditícia de 2008, que provocou o colapso do sistema financeiro global e recessões em vários países, incluindo o Reino Unido.

Segundo o governador, foram adotadas muitas medidas para “corrigir” os defeitos que o sistema financeiro tinha há dez anos, como melhorar a regulamentação e a capitalização dos bancos, mas não se deve cair na “autocomplacência”.

Entre os riscos que existem atualmente para o setor financeiro britânico, um dos maiores do mundo, Carney destaca “o fim sem acordo” das negociações entre Londres e Bruxelas para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Esta situação suporia “mudanças significativas” na maneira de operar do setor e “alteraria” a sua relação com os países da UE, afirma Carney na entrevista, concedida por ocasião do 10.º aniversário da crise de 2008, considerada a pior desde o início do século XX.

A segunda de quatro ameaças, para o governador do Banco de Inglaterra, é o elevado nível da dívida das famílias britânicas, que levou o banco central inglês a aumentar as restrições à concessão de crédito para minimizar o risco de incumprimento.

Outro fator que preocupa o governador é o enorme nível de dívida da economia chinesa, que é em boa parte responsável do crescimento global e que, “caso sofra uma mudança negativa”, atingiria todo o mundo, sublinha.

O quarto risco para os sistemas bancários e financeiros seria um potente ciberataque que inutilizasse os sistemas operativos dos bancos, alerta.

O economista canadiano, que aceitou prorrogar até janeiro de 2020 o seu mandato no banco central inglês com o objetivo de supervisionar o ‘Brexit’ (saída do Reino Unido da União Europeia), afirma que a instituição está a preparar-se para todas as hipóteses e assegura que os bancos britânicos são sólidos.

Em relação à crise de 2008, a BBC publica também hoje um relatório do Instituto de Estudos Fiscais que demonstra que, como consequência da mesma, os salários dos trabalhadores são hoje 3% inferiores aos de há dez anos.

Para os jovens de mais de 20 anos o declínio é de 5%, e para os que têm entre 30 e 39 a perda é de 7,2% ou menos, em média, 2.100 libras (2.360 euros) por ano do que há uma década.

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